Sexta-feira, Julho 28, 2006

Fettucine Alfredo

Quem é que nunca comeu um Fettucine Alfredo? Aqui come-se o original. Que o próprio Alfredo inventou em 1924 para a sua esposa grávida. E que não tem nada a ver com o que se come cá pelo nosso burgo.

O restaurante é decadente, mas é uma instituição. Numa sala moderna, num edificio de arquitectura fascista,repleto de velhas fotos de celebridades, de Mary Pickford e Douglas Fairbanks a Sofia Loren e John Kennedy. A clientela é maioritáriamente composta por turistas, por isso os romanos evitam-no.


Mas o maestossissime fettucine é a única coisa que vale a pena comer aqui. O seu camariere trará a pasta de ovo fresquísima, com manteiga e mistura o Parmigiano-Reggiano à nossa frente. Voltas e piruetas, e quando chega à nossa boca ainda está miraculosamente quente. E saborosa, al dente. O segredo está seguramente na pasta, dado que é a melhor que alguma vez comi ( próxima desta só na Finca Narbona, no Uruguai).

Por isso, este Alfredo é também poiso obrigatório de qualquer roteiro de Roma.

Da Alfredo Imperatore
Piazza Augusto Imperatore, 30
Tel. 06.68.78.734

Via Condotti

Roma é também um destino de compras. A sua grande vantagem em relação a outras grandes capitais é a concentração. Três estreitas e curtas ruas ( Via Condotti, Via Borgognona e Via Frattina), paralelas, delimitadas pelas Vias del Corso e Babuino concentram o melhor que há no mundo da moda. Tudo o que é"top brand" está lá.

Deixo-vos um possível top-30.



Armani, Bally, Laura Biaggioti, Brioni, Bulgari, Burberry, Cartier, Chanel, Cavalli, Dior, Dolce & Gabanna, Fendi, Gianfranco Ferré, Ferragamo, Gucci, Hermés, Iceberg, La Perla, Les Copains, Louis Vuitton, Bruno Magli, Max Mara, Missoni, Mont Blanc, Moschino, Prada, Pollini, Valentino, Versace, Zegna.




Para além destas luxuosas lojas, que vale a pena visitar, mesmo que sem intenção de comprar, há outras, onde se fazem boas compras, a preços bem razoáveis.


Para além do charme da zona, junto à Piazza di Spagna e da Scalinata di Trinitá dei Monti.



Num intervalo das compras não deixe de ir ao Caffè Greco, fundado em 1760,por onde clientes como Casanova, Keats, Goethe,Stendhal, Liszt, Byron, Buffalo Bill ou Luis da Baviera. É o "Majestic" de Roma.

Se gostar mais de chá, à esquerda das escadas tem a Babington’s Tea Room, fundado em 1896, tipicamente inglês, com toda a variedade de chás e scones.

Se precisar de almoçar ou jantar o Da Mario, restaurante informal, mas simpático, com boa pasta e um tiramisu de perdição proporciona uma refeição agradável e barata.

Vinhos Campeões do Mundo

Selecção de vinhos disponiveis na Vinho e Coisas, altamente cotados por Robert Parker, o homem que determina a cotação do mercado de vinhos mundial. A explorar. Notas de prova seguirão mais tarde.










Aldo Conterno Cicala Barolo 1997 €39 Parker 91

Elio Altare Barolo Bruneto 1996 €76 Parker 92

Antinori Badia Pasignano Chianti 1996 €32 Parker 91

Prunotto Bussia Barolo 1997 €48 Parker 94

Fattoria di Felsina Chianto 2000 €26 Parker 92

Quinta-feira, Julho 27, 2006

DVDteca - Grandes Mestres do Cinema (12)

Com Decameron, bem como em “Os Contos de Canterbury” e as “Mil e Uma Noites”, que completam a Trilogia da Vida, Pasolini exalta a alegria, o corpo e a vitalidade sexual. O filme adapta nove contos de Boccacio, o grande poeta e cronista do séc. XIV.

A alegria que decorre do optimismo histórico de Boccacio resulta da revolução burguesa, na qual Boccacio vivendo nessa época de explosão, de nascimento, pressente uma nova era. E esse optimismo, racional e lógico, faz com que a sua obra seja uma ode à alegria.

O registo é o de comédia moral anti-clerical. A variedade de contos permite uma lição de moral para cada dia da semana e duas para o fim de semana. Um jovem que vai a Nápoles comprar cavalos é enganado duas vezes, mas excrementos podem ser sinal de dinheiro. Um homem passa-se por surdo-mudo num convento cheio de freiras, depois de ouvir contar histórias da sua insaciedade. Um grande pecador, às portas da morte, decide alterar o registo da sua memória no mundo. Uma mulher que engana o marido recorre à porcelana para evitar o flagrante. Três irmãos vingam-se da desonra da irmã. Uma jovem dorme no terraço para poder receber o amante, e para ouvir os rouxinóis. Um padre tenta transformar a mulher do amigo numa égua, a pedido destes. Dois amigos, um deles pecando sem interrupção com a sua comadre, fazem um pacto; o primeiro que morrer volta para contar. Alguns momentos de grande comédia, em redor de um característico género de literatura medieval, que jogava com humor baseado em infidelidades, sexo promíscuo e humor abaixo da cintura, particularmente baseado nos órgãos excretórios humanos e nos respectivos produtos.


Os dois episódios-guia são o de Ciappelletto (Franco Citti: personagem libertino e imoral mais que assassino, que no momento da morte se faz passar por santo) e o de Giotto, interpretado pelo próprio Pasolini: retrato autobiográfico, que nos mostra a sua ligação com a vida,o sonho e a arte. Gitto/ Pasolini, olhando para o seu filme dirá: "Para quê realizar uma obra, se é tão belo apenas sonhá-la?” . Representação dum sonho, e reproduzido em imagens cinematrográficas que se assemelham à pintura renascentista. Temas do sonho são o Paraíso (com o mito Silvana Mangano como Madonna) e o Inferno, para o qual é escolhido o dialecto napolitano.


A sexualidade e o modo como Pasolini a apresenta, criaram polémica na católica Itália dos anos 70. O filme foi acusado de pornografia e tentativas de censura, o que também contribui para o sucesso do filme, que tinha sido premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim de 71..

Para aqueles que agora descobrirem Pasolini este é também o filme ideal para explorer a sua obra, porque todo o modus operandi do realizador está patente no filme, nomeadamente o ambiente sujo, a utilização de luz natural e de actores amadores, que parecem escolhidos a dedo pelos seus genuínos rostos e expressões de uma inocência quase surreal. O filme captura a beleza radiante do Verão, com paisagens douradas salpicadas de flores, o azul pastel dos céus, o som dos grilos, quase sentimos o cheiro da terra, De grande beleza pictórica o filme enquadra a o esplendor da paisagem com a miséria e a desgraça, recriando quadros de Leonardo, Michelangelo, Rafael, Caravaggio e Giotto.

É indubitávelmente uma obra prima, que ora nos enternece, ora nos choca, intersectando beleza sensorial com acutilância política e social.


DVD: Decameron (1971) , na FNAC por €24.9
0. Também se recomenda "Teorema"(68), "Contos de Canterbury"(72), "As mil e uma Noites" (74) e "Salô ou os 120 dias de Sodoma "(75), na FNAcC, € 24.90. O pack com os 3 filmes da Trilogia da Vida está â venda igualmente na FNAC por €79.

Michelangelo


Muitos dirão que visitar Roma sem ver o Papa é uma visita incompleta. Com todo o respeito e admiração por João Paulo II eu direi que visitar o Vaticano sem ver Michelangelo,isso sim, é pecato.

Começando pela sublime Pietá, logo à entrada da colossal Basílica de São Pedro, supremo contraste entre o esmagador e a delicadeza da beleza absoluta conferida pela dor que leva à redenção.

Mas o seu capo lavoro é a Capela Sistina, encomenda do Papa Júlio II. Com 33 anos, Michelangelo tinha pouca vontade em executar o trabalho pois sendo escultor gostava de atacar o mármore com martelos e cinzeis, não pasteis e pinceis. Resistiu, sugeriu Rafaello, tendo sido os seus inimigos que convenceram o Papa a imcumbi-lo de pintar a abóbada, convencidos do seu fracasso. Michelangelo enclausurou-se quatro anos na Capela, mantendo a obra escondida por tapumes. Completou-a em 1512.

20 anos depois outro papa, Paulo III, chamou-o para pintar a parede do altar. Ele tinha 60 anos, fizera as grandes esculturas de Florença, e tentou resistir outra vez. Acabou por fazer o "Juízo Final" no qual trabalhou cinco anos tendo-o apresentado 1541.

Quase não há profundidade no fresco. Michelangelo eliminou praticamente todas as referências espaciais para concentrar a potência visual e simbólica nos corpos, a maioria nus. Apoteose de corpos, num espaço sem existência. Sobrepostos, contorcidos, nenhum gesto é repetido.

Cristo sem barba nem cabelo longo, fugindo aos cânones da iconografia. A seu lado, uma Madonna parece um tanto assustada. Alguns acharam que os nus eram demais e inapropriados para uma capela papal e depois da morte de Michelangelo, alguns véus e tecidos foram acrescentados em defesa do pudor.
Os trabalhos de restauro a que os frescos da Sistina foram sujeitos entre 1980 e 1994, coordenados por Gianluigi Colalucci, mas devolveram à obra de Miguel Ângelo a exuberância de cores original, o que gerou grande controvérsia para os que tinham amado Miguel Ângelo naqueles tons pastel, e não nas cores vivas, delicadas e sensíveis dos maneiristas. Como só apreciei a obra de restauro, por entre uma cáfila de turistas japoneses que disparavam flashes apesar de uma inequívoca proibição, apenas direi que me embasbaquei com o esplendor do maneirismo.

PS1: Não sou racista, mas reconheço que tenho preconceito em relação a senhores amarelos com Sonys a tiracolo.

PS2: Se eu me embasbaquei com a capela Sistina, a Margarida ao entrar com seis meses na Basilica, ao olhar para cima, vendo o tecto tão lá no alto ficou...sem palavras.

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Jardins de Russie




Já por duas vezes experimentei o prazer de jantar no Jardins de Russie, onde o chef Nazzareno Menghini nos presenteia com uma cozinha aromática, de encher o olho e também o palato. Na primeira delas em 2003, a experiência não foi disfrutada na plenitude porque a Margarida, então com seis meses precisou que o pai a passeasse durante o repasto, pelo que comi nos intervalos dos périplos . E perdi o convívio que um bom jantar com os amigos proporciona. Claro, ganhei o admiração da minha filha, que escutou deleitada a minha dissertação sobre a garrafeira do restaurante.

Em 2005 voltei lá com o António, o Joaquim e o Manuel. Foi um jantar memorável. Pela comida e pela tertúlia. Um inspirado Joaquim deixou-nos algumas máximas impagáveis. Verdadeiros guidelines, quer no plano profissional, relações pessoais ou familiares. Foram três horas de divertimento puro, sem preocupação se o serviço era demorado.

De entrada provei um fanstástico risotto al piccione e tartufo nero. Confesso que pedi no escuro, amante que sou de risotto e trufas. O piccione assemelhava-se a magret de pato, mas muito mais saboroso. Perante o agrado que suscitou e a curiosidade geral chamou-se o camariere que exclamou " Oh, it is pigeon". Pombo era. Fantástico. Ainda bem que nessa noite a Margarida não estava comigo, de contrário ela ia ficar horrorizada com o papá.


Foram também provados o foie gras e uma salada de legumes salteados com trufas brancas e 'Orecchiette', uma Pasta com mexilhão e creme de courgette.A entrada foi regada por um Barbaresco Cascina Bordino , muito cotado na Wine Spectator, que agradou mas não empolgou.

No prato principal comi "Sella di Agnello" picante com Caponatina, um molho agridove com pimentos e polpa de uva, divino. Houve quem me acompanhasse, outros optaram por scampi ( lagostins) ou pato com laranja. Este prato principal foi acompanhado por um potente Clos martinet, um grande vinho do Priorat, este sim a justificar os mais de 90 pontos da WS e do "wine guru" Robert Parker.


Na sobremesa repartimo-nos entre Zuppa di fragole (sopa de morango ) all’erba Luisa con gelato al lampone ( framboesa) e o fondente al cioccolato. Seguiram-se os espressi e uma grapa.


Foi efectivamente uma noite memorável. O recolhimento decorreu sem incidentes, dado que a viagem de elevador foi curta.

Jardins de Russie
Via del Babuino 9 | 00187 Rome
Refeição com entrada, prato, sobremesa e vinho médio por 80€/pessoa. a nossa foi um pouco mais cara porque nos vinhos escolhemos com extravagância.

Roma, Cidade Aberta


Roma é amor à primeira vista. Não sendo uma cidade monumental, como Paris ou Viena, antes caótica e desleixada, encanta pela sua alma, pelo seu pulsar, pelos romanos sentados numa soleira a aproveitar o Sol no intervalo de almoço, pelo gesticular das suas gentes. Mas o que nos cativa em Roma são a luz, as praças e as fontes.

E se o ícone de Roma é o Coliseu, a Fontana di Trevi é a fonte do meu imaginário.

Local de culto cinéfilo, desde o banho de Anita Ekberg na "Dolce Vita". Local de celebração dos tiffosi. Local de peregrinação dos turistas, há que disputar as fotos com as hordas de turistas japoneses carregados de sacos da Louis Vuitton e da Bulgari.

Terça-feira, Julho 25, 2006

QUARTO DE HOTEL ( 12) Hotel de Russie


Vintes anos passados, o gosto refina-se, o peso aumenta e a despesa também. Daí que gaste mais numa noite de Hotel hoje que antes num mês de férias. Mas o Hotel de Russie vale todos cêntimos.

Localizado na Via del Babuino, a dois passos da escadaria da Piazza di Spagna, e das famosas Via Condotti e Via Borgognona, este antigo Palácio da família imperial russa, desenhado em 1816 por Giuseppe Valadier, foi transformado pela requintada cadeia Roccoforte no mais elegante Hotel de Roma.



Os seus jardins encantam os hóspedes que aí se refugiam do frenesim da cidade. No terraço é oferecido jantar al fresco, embora eu recomende o restaurante Jardins de Russie, que merece um post autónomo.

Os quartos estão decorados com fotografias de flores de Robert Mapplethorpe. As paredes em tons pastel retemperadores. Lençois de linho. Casa de banho em mármore ou mosaico. 90 quartos, desde os Studio room com 45m2, vistas para a Piazza del Poppolo e banheiras para dois, até 3 Single room, com 23 m2. 30 suites desde os 70m2 da Executiva, com quarto sala e escritório, com TV B&O, às junior e as suites da cobertura, a Picasso, a Popolo e a Vaseli, todas com grandes terraço que espreitam a monumentalidade de Roma. A Picasso é poiso habitual de George Cloney e Robert de Niro. Na minha estada no Hotel cruzei-me com Forest Whitaker, quem sabe se em filmagens do "Mary" de Abel Ferrara. Com tal frequência é com naturalidade que o Hotel inaugura por estes dias a Suite Fellini.



O Spa tem piscina de hidromassagem, jacuzzi, sauna e turco. Se pensa que se pode lá cruzar com a Angelina Jolie ou Monica Belluci desiluda-se. Quando elas lá vão o Spa fecha.


O Stravinskji Bar é famoso pelos seus Martinis e pela gente que o frequenta.

O serviço é excelente, por uma equipa jovem e atenciosa. O concierge consegue milagres nas marcações seja para jantar seja para espectáculos.

Hotel de Russie | Via del Babuino 9 | 00187 Rome | Italy
Tel: +39 06 32 88 81 | Fax: +39 06 32 88 88 88
E-mail: reservations@hotelderussie.it
De 400 a 3000€ (Suite Picasso) por noite.

A leste algo de novo

Toda a gente sabe que a bebida nacional na Rússia e na Ucrânia é a vodka, que é com ele que os eslavos conseguem aquecer-se durante os frígidos invernos...Acontece que por ali também se bebe cerveja e, frequentemente, de grande qualidade. O meu contacto com estas "loirinhas" eslavas começou quando porcuriosidade entrei numa dessas lojas de produtos russos e ucranianos, que pouco a pouco começam a surgir por todo o lado. Deparei com uma prateleira cheia de apelativas garrafas e, fazendo jús ao espírito aventureiro e explorador do povo português, resolvi levar para casa alguns exemplares para poder avaliar devidamente a categoria do produto. Tenho que confesssar que fiquei surpreendido com os resultados desta prova aleatória, o que me levou a voltar ao referido estabelecimento para poder continuar a minha investigação. Embora limitado apenas ao material disponível na altura, posso, apesar disso, partilhar algumas das minhas descobertas.

Antes demais, é de salientar que as garrafas têm uma capacidade mínima de 500 ml, o que me parece uma óptima escolha, evitando o minimalismo dos habituais 330 ml, corrente no nosso país, e que por vezes nos obriga a duplicar desnecessariamente a dose...

Começando pela cerveja russa, recomendo vivamente a Báltika, que muito curiosamente se apresenta em várias versões numeradas de acordo com as suas características próprias:

A Báltika 0 é, como seria de esperar, uma cerveja sem álcool;

a Báltika 1 é uma cerveja light, com 4,4º;

a Báltika 2 correspondia a cervejas com sabores (cereja, limão, etc.) cuja produção foi entretanto suspensa;

a Báltika 3 (classic) tem 4,8º;

a Báltika 4 é uma cerveja preta;

a Báltika 5 (gold) tem 5,2º;

a Báltika 6 é tipo Porter (morena) com 7,0º;

a Báltika 7 (premium) tem 5,4º;

a Báltika 8 é uma cerveja de trigo (weissbeer);

a Báltika 9 (strong) tem 8,0º;

a Báltika 10 (jubilee) é uma edição especial com 5,2º .

Pessoalmente, prefiro a 5 e a 7 que são das melhores cervejas Lager que tenho provado.

Como curiosidade, refira-se que a Báltika, cuja propriedade inclui participações da Newcastle e da Carlsberg, possui 18 fábricas de cerveja (10 na Rússia, 4 nos países bálticos, 3 na Ucrânia e uma no Casaquistão), entre as quais a maior da Europa, situada em S. Petersburgo.

Quanto às cervejas ucranianas, as principais fábricas situam-se em Kiev, com a marca Obolon, e em Lvov, pátria da Lvivskie Piwaria, com as referencias Svitle (light) com cerca de 3,5º e a 1715, com 5,2º. Não gostei de nenhuma das cervejas da Obolon, que me pareceram algo insípidas, pelo que não as recomendo, opostamente à 1715 que merece um lugar entre as melhores marcas européias.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

San Gimignano

San Gimignano conserva todo o seu esplendor de cidade medieval e percorrendo-a sentimos a envolvência da sua longa história.

"Città delle Belle Torri" como a definiram, musa inspiradora de E.M.Forster e Henry James. Cidade que ao longe nos aparece soberba com as suas altas e esplendorosas torres. As Torres por si só justificam a visita a San Gimignano, mas para além delas os torreões, as portas, as fontes, a cisterna, as velhas e estreitas vielas, o velho casario do séc. XIII, os telhados.. E a beleza sublime da Catedral.


Assim è San Gimignano:o fascinio e a beleza medieval, a linguagem imutável de cada casa e cada rua, o tempo longinquo que se fechou sobre si mesmo em cada muro, fazem de San Gimignano uma pequena mas preciosa jóia da Bella Toscana.

Verão Azzurro




Foi já há 21 anos que passei umas férias inesqueciveis em Itália. Com os meus amigos de sempre Carlos, João, Zé Luis e Zé. Ao rever as fotos recordo-me do comentário da Paula em 95: “Parecem dez anos mais novos”. Efectivamente.

Partimos no “velhinho” Mercedes do Porto para Ferrara, a nossa base, ao abrigo de um intercâmbio de estudantes. Depois de escala em Barcelona, com aventura na Sagrada Familia, e Nice, “na volta é que vai ser”, lá chegamos a Ferrara. O velhinho nas curvas de Rapallo começou a gastar mais óleo que gasóleo.

O alojamento era numa residência Universitária, na Via Mortara. O Carlos ficou com um quarto só para ele. Eu,o João e o Zé dormimos 3 semanas num impecável colchão de granito.

Nesse Verão de 85 decorria o Live Aid, que seguimos num cinema ao ar livre, entre uma Wunster, Straciatella e um bichiere d’aqua frisante. Descobrimos o surrealismo em De Chirico no Castelo Estense. Percorremos o Corso della Giovecca e admiramos as bicicletas.



Estávamos no século passado, er
a sem telemóveis nem multibanco (e claro, sem net), comunicar com as namoradas era dificil e caro, e por vezes apanhavamos com a sogra. Por isso as cartas, hoje em vias de extinção, ainda tinham a sua utilidade.

Férias low budget ( 60 contos cabeça, por um mès) condicionavam as refeições, para mais porque os enchidos pagavam-se ao etto. Lembro os “fabulosos” bifes de fiambre com tagliatelle al pommodoro.Valia-nos que a fruta era gratuita, nos pomares entre a cidade e a praia, pela noitinha. O Carlos era contra... excepto quando bebia 2 canecas.


A praia, em Comachio e Lido di Spina, era fantástica. O Adriático tinha uma água azul turquesa de temperatura apelativa. Apelativas eram também as italianas, belíssimas. Nessa altura não havia globalização pelo que a moda italiana não chegara ainda a Portugal. Daí o nosso encanto com as meninas Valentino ou Versace. O problema eram os meninos Zegna e Armani. Não davam hipótese, defendendo como autênticos Materazzis. Por isso um dia o Zé, com grande currículo no Porto, declarou: “Esta noite senão for uma é um...”. Mas foi o Carlos quem teve uma fiesta brava.

Pelo meio tivemos a visita do Nuno e do Miguel, hoje homens do Curtas de Vila do Conde, e do Rui, hoje na TAP, homem capaz de declamar Bocage uma noite inteira.

Pontos altos foram as visitas a Florença e Ravenna. E claro, as festas do L’Unitá, orgão do PCI, nas mais reconditas aldeias. Uma noite, depois de “apreendermos” uma bandeira do Partido, o Zé Luis ainda convenceu o sindaco local a ofertar-nos outra. Premonição? Talvez, de votante no CDS em 85 progrediu até ao BdE em 2004.

No regresso, escala em Veneza, onde depois de acordarmos todo o parque de campismo, instalamos um inovador sistema de alarme no bungalow : “vassoura na cabeça do Carlos”. Na gôndola o João foi abençoado por uma gaivota e o Zé Luis convenceu o Carlos que trouxe um mosaico de São Marcos, E Milano. Depois de uma corrida de llamas e um grande prémio no Monaco, montamos a tenda em Nice e Andorra, onde um almoço à base de queijo e chocolate fez com que o Zé na chegada ao Porto ficasse inapto para umas Tripas na Ribeira.


DVD : "Amici Miei" (1975) de Mario Monicelli
"Live Aid 85"

CD: " How I wish you Where Here" dos Pink Floyd
"Brothers in Arms" dos Dire Straits
"Just One Night" de Eric Clapton
"Also Sprach Zaratustra" de Richard Strauss pela Berlin Philarmonica

Domingo, Julho 23, 2006

Capela Scrovegni

Giotto Di Bondone nasceu em Vespignano, Itália em 1266. Discípulo de Cimabue, Giotto foi um inovador, introdutor da perspectiva na pintura da época, sendo o elo de ligação entre a pintura medieval bizantina e a pintura renascentista

Percorrendo a Itália Giotto fez amizade com o Rei de Nápoles e Bocaccio, que o menciona em seu livro, Decameron ( falarei disso no post sobre Pasolini).

O Papa Benedito XI contratou Giotto, que passaria então dez anos em Roma. e em 1320, voltou Florença para orientar a construção da Catedral. Morreu quando pintava “O Juízo Final” para a capela de Bargello.

O primeiro trabalho importante de Giotto terá sido o fresco que conta a vida de São Francisco no tecto da Basílica em Assis.

Mas é a Capela Scrovegni, em Pádova, a sua obra prima. Retrata cenas da Virgem Maria e da Paixão de Cristo quebrando as tradições da narração de cenas medievais. A cena da morte de Cristo foi admirada por muitos artistas renascentistas pela sua força dramática. Michelangelo inspirou-se aqui para a composição da Capela Sixtina.

A capela Scrovegni é um ponto alto de qualquer visita a Itália, embora esteja longe de ser muito visitada. Escondida num jardim de frequência duvidosa, fica longe dos roteiros turísticos.

Sábado, Julho 22, 2006

Calcio Storico Fiorentino

Uma tradição que vem do séc. XIII em Florença é o calcio storico. Disputado no dia de São João, em frente à Basilica de Santa Croce por quatro equipas (verdes, azuis,vermelhos e brancos) representativas dos bairros de Florença. Dizem que os verdes são os melhores mas os azuis são sistemáticamente beneficiados pelo "Maestro di Campo".




O campo tem a forma de um moderno campo de futebol, é coberto de areia, e dividido ao centro por uma linha branca. O jogo tem a duração de 50 minutos e é disputado por duas equipas de 27 elementos. 4 Datori Indietro (guarda redes) 3 Datori Innanzi (defesas) 5 Sconciatori (médios) 15 Innanzi o Corridori (avançados).









O início da partida é assinalado com uma salva sendo a bola lançada pelo pallaio. " Da questo momento i giocatori cercheranno, con qualunque mezzo, di far penetrare il pallone nella rete avversaria e segnare cosi la "caccia" (goal)." O jogo é pois uma fusão de futebol. rugby e luta. As expressões" todos ao molho e fé em Deus" e "vale tudo menos tirar olhos" aplicam-se na perfeição

O prémio para os vencedores é uma vitela, que é logo assada após o jogo. Não consta que 25% da vitela vá para o fisco italiano.



Ferragamo

Salvatore Ferragamo (1898-1960) foi um dos pioneiros da moda em Itália. Nascido numa modesta família napolitana, começou a fazer sapatos aos nove anos. Emigrou para os Estados Unidos e nos anos 20 calçava as estrelas do cinema mudo. Regressou a Itália em 1927 e abriu a sua loja em Florença em 1929.

Inovador, no design e nos materiais, e sendo o sapato o mais famoso objecto fetichista, o que poderia ser mais sexy do que fazer sapatos para estrelas como Rita hayworth, Sofia Loren, Audrey Hepburn, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Katherine Hepburn, Marlene Dietrich ou Bette Davis ?



O design de Ferragamo bebeu influências da Arquitectura, desde o Gugenheim ao Chrysler Buiding em New York, ou os neons dos cinemas, mas também aos mosaicos bizantinos, ao cubismo e ao Bauhaus. Mas a sua invenção suprema,em 1955, foi o stiletto.

A casa mãe da Ferragamo situa-se em Florença na Via Tornabuoni. Vale a pena visitá-la, e já agora espreitar as vizinhas Prada, Gucci e Cavalli.

Hoje Ferragamo é um símbolo de Florença. Para lá do Museo Ferragamo, a casa de Salvatore tem cinco hóteis de design, todos no coração da cidade, desde o Lungarno, adaptação dum palácio medieval nas margens do Arno, ao Gallery Hotel Art, que é mesmo o que o nome indica, com uma decoração minimalista mas requintadíssima e uns terraços de morrer, e um bar de sushi zen.

Sexta-feira, Julho 21, 2006

DVDteca - Grandes Mestres do Cinema (10)

Deserto Vermelho (1964) de Michelangelo Antonioni.

Antonioni nasceu em 1912 em Ferrara,cidade que me é querida e à qual voltarei mais para o fim do mês. Licenciou-se em Economia na Universidade de Bolonha e começou a trabalhar na banca, colaborando como crítico cinematográfico num jornal local. O seu amor pelo cinema levou-o até Roma onde continuando a escrever em jornais, se foi envolvendo na produção e realização de filmes experimentais e documentários. Em 1950 realiza "Cronaca di un Amore" em que a estrutura narrativa que marca o cinema de Antonioni aparece já bem vincada, mas é em 1957 com "Il Grido" que se consagra com o retrato de um operário e da sua jornada longe de casa, das suas ligações e do seu regresso. A agitação do personagem é enfatizada pela montagem com planos rápidos e espaços interiores apertados, resultando num estado de opressão de que o personagem tenta escapar.

Entre 60 e 62 Antonioni atinge o auge da sua carreira com a trilogia "L'Avventura", "La Notte" e "L'Eclisse". Existe uma estabilidade formal nestes filmes, iniciando um cinema por vezes não narrativo, psicológico, na incesssante busca do amor como último refúgio no mundo industrializado, reflexões sobre o boom industrial italiano e o próprio cinema europeu.




"Il Deserto Rosso" é o primeiro filme a cores de Antonioni e marca um ponto de viragem, embora haja quem o associe à trilogia pelo tema, a alma inquieta da heroina neurótica ansiando por amor e em busca de um sentido para a sua vida, e os planos do deserto industrial inóspito que ela percorre.

Antonioni distorce a realidade ora usando teleobjectivas que causam um aplanamento espacial, ora criando estranhas escalas, cores ou posicionamento dos objectos, ora recorrendo a planos com fundos desfocados. Giulana (Monica Vitti) encontra-se perdida pela falta de amor do marido (Ugo) e o receio da doença do filho, e encontra em Corrado ( Richard Harris), um estranho de passagem pela cidade, uma âncora na tempestade, na sua busca de algo tangivel a que se possa agarrar. A alienação e tédio de Giulana e a sua necessidade de se sentir valorizada são exploradas por Antonioni que no final nos mostra a sua heroína sabendo que não pode mudar o mundo e resignada ao seu destino por mais amarga que seja a pílula a engolir. Tudo isto num mundo poluído e desumanizado onde a pesca foi banida pela poluição. E o espantoso é que se trata de um filme rodado há 42 anos e não ontem.

"Il Deserto Rosso" foi premiado com o Leão de Ouro em Veneza. Em 67 realizou "Blow-Up" outra obra prima e o seu filme mais famoso. Este filme marca a sua partida para Inglaterra e é homenageado em "Match Point" de Woody Allen. Em 75 filma Jack Nicholson em busca de Gaudi, inovando em 80 com "Il Mistero d'Oberwald", sempre com Monica Vitti, sua actriz e sua mulher. Em 1985 tem um AVC e deixa de filmar até que em 95, auxiliado por Wim Wenders regressa em grande com "Beyond the Clouds". Nesse ano foi homenageado pela Academia de Hollywood com um Óscar Honorário.



Nota 1: Apenas tenha a cópia do filme em VHS. Dou alvíssaras a quem me encontrar o DVD a preço decente. Na amazon.uk estão à venda por €300!

Nota2: Vi este filme nas velhinhas instalações do Cineclube do Porto, na Rua da Restauração, na 1ª metade dos anos 80.

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Jacaré


Depois do sucesso em Cannes e do sucesso de público em Itália, o último filme de Nanni Moretti ganhou seis ( em catorze nomeações) na 50ª edição dos prémios David di Donatello, os "Óscares" italianos.Entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor.

"Il Caimano" (O Jacaré), filme dentro do filme, relata a história de um produtor/ realizador que pretendendo realizar um thriller político dá-se conta que está a filmar um biopic do grande Berlusconi.

Autor de obras primas como "Quarto do Filho",Palma de Ouro em Cannes, "Palombella Rossa" e "Querido Diário", Moretti volta a realizar um filme divertido na abordagem inteligente, com a ironia que lhe é tão querida, da realidade política italiana com a ficção intimista e autobiográfica do protagonista.


Quarta-feira, Julho 19, 2006

TABLES DU MONDE (8) ENOTECA PINCHIORRI

A minha igreja favorita em Florença é a Basilica di Santa Croce, igreja franciscana, diz a lenda que fundada pelo próprio São Francisco. Imponente na sua simplicidade, com as suas 16 capelas decoradas com frescos de Giotto.



Mesmo ao lado encontramos outro templo com muitos devotos. Por muitos considerado o melhor restaurante de Itália, dirigido por Giorgio Pinchiorri, responsável pela cave com 150.000 garrafas e Annie Feoldie na cozinha,agora coadjuvada por Italo Bassi, é um ponto de encontro a que se acorre para apreciar uma verdadeira liturgia refinadíssima, que decorre lentamente mas cheia de agradaveis surpresas.

A elegância da sala e a beleza do jardim para as refeições estivais bem como a procura quase obcessiva do detalhe, dos talheres de prata de design, a porcelanas raras de Richard Ginori, copos Riedel, claro.

A carta propõe o melhor da cozinha italiana e ainda vários menus de degustação.

Nas entradas sugiro "Vieiras com ovos marinadas em alho, com puré de oregãos e molho de caracóis do mar". ou a "Sopa de espargos verdes com gratinado de espargos brancos e mozzarella". Eu perco-me pelo " Foie Gras com chalota e terrina de mel e endivias"
.


Nas pastas ou risottos, uns deliciosos "Agnolotti de ricotta, açafrão e menta con lagostins e tomate fresco" ou o imaginativo "Risotto com fricassé de coxas de rã".

Nas carnes o clássico "Carrè de borrego com pasta de tomates secos ( que lhe dá o toque especial) com couve flor e abobrinhas" ou um divinal "Pombo em crosta de pão com feijões e gengibre à Toscana"

Sendo certo que exotismo não rima com excelência é nas sobremesas que a creatividade da chef nos espanta.Vejam só: "Cannoli ( o Tony Soprano é doido por eles ) de cacau com mousse de manga,natas com gengibre e gelatina de mel de castanhas e espuma de limão", o espanto de um "Pastel de pistacchio com cerejas marinadas em vinho tinto e sorvete de ananás Ananas flambé (!) em Armagnac com natas com coentros e crocante de açafrão" ou as "Variações de chocolate:cremoso à menta, líquido com pimenta de Sechuan, crocante com gelado de Rum",dignas das variações Goldberg.



Nos vinhos o Barolo provado voltou a desiludir. Talvez porque dado o preço proibitivo dos melhores tenhamos escolhido um menos bom. Ou talvez não seja mesmo do meu agrado, dado que prefiro vinhos com mais corpo.

Terminada a celebração, vem o tempo de meditação e recolhimento para melhor interiorizar a refeição "três estrelas Michelin".

Via Ghibellina, 87
I-50122 Firenze (Toscana)
Tel.: : + 39 055 24 27 77
Fax: : + 39 055 24 49 83


Terça-feira, Julho 18, 2006

Bellini


Nestes dias de calor e férias nada como um Bellini antes de jantar.

O seu nome rende homenagem ao pintor veneziano Giovanni Bellini.Inventado nos anos 30 por Giuseppi Cipriani no célebre Hary's Bar em Veneza é um néctar para as papilas e a alma. Numa misturadora reduza a puré dois pêssegos brancos. Coloque a polpa no fundo de um flute até um terço e complete com espumante bruto (a receita original é com Proseco, espumante italiano, mas champagne ou o nosso Murganheira SuperReserva também vai bem).


Nota: Não se esqueça de fazer quantidade suficiente para beber um segundo.

Viagem a Itália

Aqui no Prazeres este mês é dedicado a Itália. Vá lá saber-se se por terem sido campeões do Mundo. Certo,certo é que a Itália é o meu destino europeu favorito.

Nem de propósito li que esta noite na RTP2 passou o documentário "Il mio Viaggio in Italia" de Martin Scorcese. Viagem feita através do cinema italiano que encantou o menino Scorcese. Rosselini,De Sica,Visconti,Fellini e Antonioni são revisitados. Um filme essencial para cinéfilos que amam o cinema italiano dos anos 50-60 e o cinema de Scorcese.

Para os que como eu nunca conseguem ver na TV, o DVD (atenção, é zona 1) pode ser comprado na amazon.uk por €11.46.

Domingo, Julho 16, 2006

Museus (1) Galeria Uffizi

Foi o primeiro grande museu que visitei, nos idos de 85. Percorri as suas galerias com o encantamento de quem descobre o mundo. A ele voltei em 95, já mais selectivo, e em 2000 apenas para recordar alguns quadros, depois de flaner pelas esplanadas de uma Florença infestada de turistas no Jubileo.

A Uffizi é "O" Museu da arte renascentista. A escola italiana como é óbvio domina a colecção. Giotto, Piero della Francesca, Fra Angelico. Depois Filippo Lippi, Boticelli, Leonardo, Bellini. Mais tarde Michelangelo, Giorgione, Raffaello, Ticiano,Tintoretto. Finalmente Caravaggio e Canaletto.

Ufa,Uffizi. Que lista!

Giotto : Madonna d'Ognissanti

Leonardo da Vinci: Anunciação

Fra Fillipo Lipi: Virgem com o Menino e os Dois Anjos
Botticeli: Primavera

Boticcelii: Nascimento de Vénus

Raffaello: Maddona do Pintassilgo

Ticiano: Vénus d'Urbino

Sábado, Julho 15, 2006

Bem sei que o hotel certo para ficar em Firenze é o Savoy, da cadeia Rocco Forte, situado na Piazza della Republica. Mas o que eu recomendo é o Hassler Villa Medici. Situado no centro histórico, a 5 minutos a pé das Piazza della Signoria e da Republica, este antigo palácio do séc. XVIII, rodeado por elegantes jardins, tem o charme de uma velha senhora, com os confortos da modernidade, Fruto das várias plásticas a que se sujeitou.


Os quartos com terraços são uma perdição. Verdadeiramente"A Room with a View". Romântico é o mínimo que podemos chamar a um pequeno almoço em roupão num terraço que avista as torres que encantam os turistas em Florença.


A piscina situada nos jardins é encantadora. Mas convenhamos, numa cidade como Florença, não são piscinas nem spas que procuramos. Perca-se nas esplanadas da Piazza della Signoria, depois de ver o Nascimento de Vénus na Uffizi, sem ter passado horas na fila (o concierge trata-lhe desse problema).

Grand Hotel Villa Medici
Via il Prato 42, 50123 Florence, Italy
Tel: (+39-055) 277-171
Fax: (+39-055) 238-133-6

Mesas da nossa terra(2) Zé da Serra

Como nem só de alta cozinha vive o homem, por vezes temos de descer à terra. E no caso à terra do outro lado do rio. É em Gaia que fica o "Zé da Serra". Mas quando lá for pergunte pelo Zé Ladrão pois é assim que é conhecido.

Não se recomenda a visita a pessoas mais sensíveis pois a decoração pode chocar algumas mentes. Motivos azuis e brancos, bolas e camisolas, devidamente autografadas. E não é raro por lá encontrar os subscritores dos autógrafos. Há até alguns que, ausentes noutros países, não deixam de por lá passar quando estão de visita ao Porto.

Da carta constam diversas especialidades, desde asssados a feijoadas. Mas quando se fala do Zé Ladrão, fala-se de Filetes de Pescada. Os melhores que conheço. Sápidos, suculentos, revelando a frescura do peixe. Polme e fritura no ponto. Obrigatórios. Aliás na visita que hoje fiz ao Zé, em todas as mesas se provavam os Filetes do Gadídeo.

À sobremesa tem umas recomendáveis aletria e rabanadas, mas em dias de calor recomendam-se o melão e a meloa. O café é Segafredo, como gosta o meu amigo Ângelo.

O vinho da casa, verde ou maduro é aceitável. mas a carta dos vinhos é surpreendente numa casa modesta como esta. Barca Velha,Chryseia, Vale Meão encontram.se por lá. Claro, a preços para futebolista.

Zé da Serra. Rua Luis de Camoes, 580 , Vila Nova de Gaia.
Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, pela ponte do Infante, vira na 2ª à esquerda. Junto a uma pequena rotunda vê um velho casario. Estaciona. Se não vir uma pequena placa da Segafredo, pergunte pelo Zé Ladrão.

Sexta-feira, Julho 14, 2006

"Roma"


Vai ser lançado o DVD da 1ª série "Roma", saga de dois soldados e das suas famílias na Roma de Julio César. Retrato intímo de amores e traições, senhores e escravos, maridos e mulheres. Crónica épica do erguer de um império. A acção inicia-se em 52AC, depois da conquista da Gália. Após oito anos de guerra César regressa a Roma à cabeça de um exército poderoso e leal, e cheio de ouro e escravos. Durante os doze episódios passam-nos pela frente figuras como Pompeu, Marco António e Cleópatra. Grande produção da HBO, imperdível.

Quinta-feira, Julho 13, 2006

Os LP's do meu baú (2) "The Pipper at the Gates of Dawn"


A propósito da morte do "Crazy Diamond" Syd Barret recordo o álbum inaugural dos Pink Floyd, o meu preferido da banda.

Álbum dificil de encontrar em finais dos 70/inicio dos 80. Consegui o meu via alguém que o trouxe de Londres. Coisa dificil de imaginar hoje, em que é possível ir ao iTunes fazer o download.


Os Pink Floyd gravaram este disco no mítico estúdio de Abbey Road simultaneamente à gravação de "Sgt. Pepper" dos Beatles. Reza a história que Lennon e Syd se juntavam para juntos viajarem com LSD.

Barrett compôs dez dos onze temas e foi o vocalista em todas elas.
O álbum tem a marca genial de Syd. As emanações lisérgicas na obra de Barrett estão presentes em temas crípticos como “Interstellar Overdrive”, “Astronomy Domine” o “Lucifer Sam”, canções alucinogénias originais e brilhantes, com improvisos instrumentais em que se destacam a inovadora guitarra de Syd, com riffs de guitarra inesquecíveis, e os solos contando com a ajuda dos seus isqueiro Zippo e o indistinguivel baixo de Roger Waters.

As letras são complexas e ao mesmo tempo naif, com referencias oníricas e estranhas divagações pela ficção cientifica. “The Piper At The Gates Of Down” é uma obra prima, única, levando a inovação a limites então inimagináveis, introduzindo elementos e sons que seriam imitados à saciedade, ultrapassando as fronteiras do rock.
Syd Barrett abandonou a banda logo depois deste disco (diz-se que enlouqueceu devido ao excessivo consumo de LSD) e a sua colaboração no álbum que se seguiu ," A Saucerful of Secrets" foi já limitada.Foi substituído por outro guitarrista soberbo (Gilmour) que o homanageou com "Shine On You Crazy Diamond" e "How I wish You Where Here".

Os Pink Floyd criaram obras que fazem parte da história da música, como "Dark Side of the Moon" ou "Atom Heart Mother" mas a genialidade do álbum de estreia não mais foi alcançada.


CD: na FNAC, €12.95
mp3: na iTunes, €9.99
Vynil: na amazon.com,€ 40;na amazon.uk, sem preço indicado, em leilões no e-Bay.

Terça-feira, Julho 11, 2006

Cinco sugestões de cinema em Agosto

1. "Hoodwinked"

Para as crianças ( e seus pais) depois de "Cars" estreia em fim de semana "Over the Edge", que parece impagável. Seria bom ver a v.o. com Bruce Willis no protagonista.

Mas o grande filme de Verão é "Hoodwinked", a verdadeira história do Capuchinho Vermelho. Hilariante, divertido para as crianças mas com piadas ( e citaçãoes cinéfilas só para adultos).

Estreia a 3 de Agosto

2. "Paradise Now"

Premiado com o Óscar de Melhor filme estrangeiro traz-nos a história de dois amigos na Palestina recrutados para se tornarem homem-bomba.

Estreia a 3 de Agosto



3. "Miami Vice"

Depois de filmar como ninguém L.A. em "Heat" e "Colateral", Michael Mann transpõe Miami Vice para o cinema. Grande produção, muitos efeitos especiais, excelentes planos, Miami à la "Mann", tudo aponta para um grande filme. Com Jamie Foxx e Colin Farrel.

Estreia a 3 de Agosto




4. "Superman Returns"

Produzido por Kevin Spacey e realizado por Bryan Singer ("Os Suspeitos do Costume). Clark Kent enfrenta Lex Luthor. O blockbuster do ano, tem tido boas críticas nos EUA, batendo-se nas bilheteiras com "Os Piratas das Caraíbas".

Estrea a 10 de Agosto


5. "Romance and Cigarretes"

Incursão na realização de John Turturro, num elenco encabeçado por James Gandolfini (Tony Soprano) e Susan Sarandon e actores de culto como Steve Buscemi e Christopher Walken. Um filme com a marca dos irmãos Cohen.

Estreia a 27 de Julho.

Sábado, Julho 08, 2006

Voltando a Gary Burton

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Quase



Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...

Assombro ou paz ? Em vão ... Tudo esvaído
Num grande mar enganador d´espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido ...


Quasi o amor, quase o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão ...
Mas na minh´alma tudo se derrama ...
Entanto nada foi só ilusão !

De tudo houve um começo ... e tudo errou ...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim ...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou ...

Momentos de alma que desbaratei ...
Templos aonde nunca pus um altar ...
Rios que perdi sem os levar ao mar ...
Ânsias que foram mas que não fixei ...

Se me vagueio, encontro só indícios ...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d' heroi, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios ...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí ...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi ...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe d´asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...

Mário de Sá Carneiro, Paris, 1913.

Terça-feira, Julho 04, 2006

CIDADES (2) BERLIM




1. Hotel
Ritz Carlton Berlim
Potsdamer Platz 3
10785 Berlin

Localização excelente, em frente à Praça Sony, a dois passos da Filarmónica e do Kulturforum,e a dez minutos a pé da Brandenburg Tor e do novo centro de Berlin, o Ritz-Carlton é uma excelente opção em Berlim.

2. Restaurante

Aigner
Französische St. 25
10117 Berlin - Mitte.

Restaurante de cozinha vienense, no coração de Berlim

Depois do robalo assado,pato ou bife de veado, a não perder são o leite creme, queimado na mesa (com maçarico), com amoras e molho de caril e o bolo quente de chocolate com morangos marinados e gelado de baunilha

3. Cafés

Ao contrário de Munique onde imperam as cervejarias, Berlim tem a tradição dos cafés. Encontramo-los às dezenas na Kurfurstendam( aqui recomendo o Leysieffer)Unter den Linden(aqui vá ao Operncafé) ou Friedrichstrasse.




















4. Esplanadas

Usufrua do fantástico espaço da Praça Sony, junto à Potsdamer Platz, ou das esplanadas de Gerdarmenmarkt.




5. Visitas Obrigatórias



No centro histórico, o Reichstag, remodelado por Norman Foster, e a Porta de Brandenburgo são incontornáveis. Recomenda-se flanner na Unter den Linden e na Friedrichsrasse. Visitar a Gerdarmenmarkt e a Alexanderplatz e a imponente catedral (Berliner Dom) e o Charlotenburg Schloss. Nas imediações deste o pequeno museu Sammlung Berggruen, com uma colecção que inclui Picasso, Van Gogh,Matisse,Van Gogh e Cézanne, e o Museu Egipcio (que não visitei porque a minha filha mais velha disse: mais museus não,papá)

Na ilha dos Museus destaque para o Pergamonmuseum. Para os amantes de pintura a Gemaldegalerie é visita obrigatória, com todos os clássicos alemães, flamengos e italianos, e a Neues Nationalgalerie, com obras de Kandinsky, Klee e Max Ernst.




Não perder ainda o Checkpoint Charlie e o que resta do Muro,e o Zoo de Berlim, um dos melhores do Mundo

6. Compras

Antes da queda do Muro a Kurfurstendamm,na zona Ocidental, era o paraíso das compras. Hoje, com a reunificação, é na Friedrichstrasse que se encontram todas as marcas exclusivas. A não perder, as Galerias Lafayette,pela sua arquitectura.










7. Espectáculos






A Filarmónica de Berlim é mundialmente aclamada, mas não tem espectáculos programados para esta semana. Terra de Kurt Weil e Bertolt Brecht Berlim tem grandes teatros.No Berliner Ensemble está anunciado para Agosto o Festival Brecht, com a “Ópera dos três Vinténs” a 13 de Agosto. No mais popular Friedrichstadt Palast está em cena a peça “Casanova”.

Mas o grande espectáculo em Berlim este mês é a final do Mundial. Espero lá estar a apoiar a minha selecção.

Domingo, Julho 02, 2006

Chanceleiros

É já uma tradição de Julho. Um fim de semana em Chanceleiros. Na casa que foi um palacete do século XVIII, casa de Verão do então Visconde de Chanceleiros. E que Kurt e Ursula Bocking trazidos ao Douro pela Adelaide.sua governanta na Alemanha, recuperaram criando uma casa de turismo de habitação. Descoberta pelo Eduardo, aí passei o reveillon de 97/98, e desde 2001 que aí passamos um fim de semana entre amigos, onde o descanso é obrigatório, salpicado pelo encanto das crianças.

E que bonito é vê-las crecer. Pensar que a Leonor e a Isabel foram para lá com 2 meses de idade, o João Pedro e a Margarida na barriga das suas mães, o Dudu quase não falava, e hoje é vê-lo, autónomos, alegres e ruidosos em volta da piscina.

Todos os anos levamos novos amigos e todos eles se encantam com Chanceleiros. Com os quartos, todos diferentes, mas todos encantadores. Com a piscina, o jacuzzi, e a sauna num tonel. Este ano não foram os atletas pelo que não demos uso ao ténis e ao squash, e as emoçoes do Portugal-Inglaterra afastaram-nos dos matrecos e do bilhar. Mas todos nos rendemos uma vez mais ao cabrito da Helena, embora tenhamos sentido a falta dos churrascos no bar da piscina e das saladas da Frau Ursula.

O Mundial era uma festa

Sábado, Julho 01, 2006

CIDADES (1) MUNIQUE

1. Hotel

Hotel Vier Jahreszeiten Kempinski München
Maximilianstrasse 17
80539 Munich, Germany


Localização ideal, no coração de Munique a dois minutos da Rathaus, na rua das grandes lojas e da Ópera, onde se vêem mais S500, 750i ou Porsches numa manhã do que no Porto numa semana.

2. Restaurante

Tantris
Johann-Fichte-Strasse

780805 München
A arte da cozinha francesa por um chefe austríaco em Munique (Hans Haas)

Menu: Degustation of yellow fin tuna with braised onions;Monkfish with lobster raviolis spinach and basil foam; Sautéd „foie gras“ with confit plums and banjuls-honey reduction;Médallions of venison with mushrooms, red cabbage and white cheese “spätzle”; Hazelnut „soufflé“ with marinated figs and red wine ice cream or Passion fruit „parfait“ with chokolate millefeuille and glazed bananas.

3. Cervejaria

Hofbräuhaus am Platzl
Platzl 9, 80331 München
Tel: 089-2901360
Fax: 089/227586

A clássica, onde Hitler discursou, onde a Weissbeer é excelente e os Schweinaxe estão sempre prontos a sair.

Como boa alternatina a Lowenbraukeler, embora mais afastada do centro.


4. Esplanada

Qualquer uma em Marienplatz, junto a Rathaus, para apreciar o carrilhão, e a gente que passa. Nesta altura é o local ideal para sentir a festa dos adeptos brasileiros e portugueses ( we hope). À noite há sempre músicos a tocar, seja musica erudita ou popular.



5. Visitas Obrigatórias

A não perder a Residenz, palácio dos Wittelbasch, com a fabulosa Schatzkammer, a Altes Pinakothek, para rever Botticcelli, Da Vinci, Tiziano, Rubens, Rembrandt, El Greco ou Brueghel, e a Neues Pinakothek, com Turner e Goya, Manet e degas, Van Gogh e Gauguin, Rodin e Klimt esperando por nós, e finalmente o Deutsches Museum, um dos melhores museus da Ciência do Mundo.

6. Espectáculos

A Bayerische Staatsopera é um dos grandes palcos mundiais de Ópera. Sob a direcção do consagrado maestro Zubin Mehta, grandes eventos estão programados para esta sala imponente.


Mas nos dias que correm, o grande espectáculo em Munique decorre na Allianz Arena, na próxima 4ª feira. Os solistas serão C.Ronaldo, Figo e Deco sob a batuta de Scolari. Espero lá estar para ver a França ou o Brasil perderem. Como dizia um amigo meu, "a fé é que nos há de salvar...".