sexta-feira, setembro 01, 2006

Emigrante ucraniana em Portugal

Sonia Delaunay, nasceu em Odessa em 1885. Em Paris juntou-se a Chagall, Picaso, Matisse, no movimento de refundação da pintura que se seguiu à era pós-impressionista. Aí chegada 1905, casou por conveniência com Wilhelm Uhde, coleccionador de arte, homossexual. Casa depois com Robert Delaunay em 1910, com ele desenvolvendo o Orfismo, versão lirica do Cubismo. A 1ª guerra, em 1915 traz, a convite do amigo Amadeo, o jovem casal a Portugal, a Vila do Conde (referida como aldeia piscatória nos biopics da pintora). Por lá ficou 2 anos, numa casa da Av. Bento Freitas. Sonia recorda nas suas memórias que o tempo que passou em Portugal foi o período mais feliz da sua vida. A luz, as cores intensas, e a simplicidade da vida rural do Entre Douro e Minho iluminaram a sua obra, reconstrução da forma pela saturação cromática e os ritmos. Cabazes, legumes, xailes. Composições vibrantes, de dinâmica centrifuga.

Nos anos 20 dotou o seu vanguardismo de um sentido comercial. Trouxe a arte para a vida quotidiana, no seu atelier de design de tecidos. Criou cenários para os bailados de Diaghilev. Desenhou roupas e chapéus. Frequentou as tertúlias surrealistas de Breton e Rimbaud. Nos anos 30 voltou à pintura juntando-se a um grupo que incluia Kandinsky e Mondrian, e que daria origem ao Abstraccionismo.

Em 63 doou cercade 100 quadros ao Museu de Arte Moderna de Paris, e tornou-se a primeira mulher a expor em vida no Louvre. Habituado a passar na casa onde antes habitara uma pintora que na adolescência eu pensara só conhecida pelos vilacondenses, foi com orgulho que descobri que no Centro Pompidou há uma sala exclusivamente devotada à arte deste casal ligado a Portugal e a Vila do Conde. Sonia Delaunay é um nome grande da pintura do séc. XX, presente nas colecções dos grandes museus, do MoMA em New York ( com "Mercado no Minho) ao Thyssen, em Madrid (com "Portuguesa)..

A última grande exposição de Sonia Portugal decorreu no Soares dos Reis em 2001. O grande acervo que deixou em Portugal torna possível encontrar ( e comprar) quadros seus em diversas galerias.


3 Comments:

Blogger rouxinol de Bernardim said...

Este comentário foi removido pelo autor.

8:50 da manhã  
Blogger lucho said...

cá estou dp das férias... um abraço.

12:31 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É bom ler posts que se referem à cultura portuguesa na sua perspectiva mais cosmopolita (e, por conseguinte,refractária a lógicas chauvinistas de nacionalismos serôdios que nunca tiveram razão de ser). Assim sendo, é uma alegria ler o post sobre Sónia Delaunay. Julgo, contudo, impoortante fazer uma correcção: as tertúlias de Breton a que Sonia terá assistido nunca poderiam contar com Rimbaud, já falecido há muito. Quando muito, poderiam ser sobre Rimbaud (essa figura querida por Breton, que omite a sua orientação homossexual por conveniência...)

6:08 da tarde  

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