sexta-feira, setembro 08, 2006

London Calling

Esta manhã voo de novo com a Ryanair, destino Londres. Não, não vou ver os Clash, como o título invoca, vou ter um programa apertado de reuniões. Mas vou ter uma aberta para visitar algumas catedrais londrinas.


St Pauls? Não. Westminter? Nãa.







Graças à simpatia do André, que através do Luís disponibilizou os convites para a malta vou a Stamford Bridge. Ver o Chelsea - Charlton. Pena que o Luís não possa ir. Ele era o nosso especialista em fotos com as girls. Já o imaginava a posar com Mrs. Shevchenko e a dar aquele abraço ao Roman.




Outra catedral a visitar é a que tem como pastor Gordon Ramsay. Considerado o Special One das cozinhas do reino de sua Majestade. Espero ainda conseguir espreitar a Tate Modern, que ainda nao conheco, e tem uma exposicao fabulosa de Kandinsky.Disso darei conta na volta do correio.

quinta-feira, setembro 07, 2006

TABLES DU MONDE (11) RAMPOLDI

Sendo um conhecedor profundo do principado pedi ao Andrea que me recomendasse um restaurante em Monte Carlo. Falou-me no Rampoldi, italiano como ele gosta. Fica na Av. Splugues que todos os aficionados da F1 conhecem pois antecede a fabulosa curva do Hotel Fairmont (antes Loews).


Numa visita anterior ao Mónaco, na pequena esplanada do restaurante jantava lá um senhor de bigode. Eu e o Rui tivemos de ir às profundezas da memória para identificar o bigode na face rosada. Era o Keke Rosberg.

Desta vez não estava lá nenhum famoso, mas o Rampoldi não defraudou as expectativas. Nas entradas o foie gras des Landes e a sopa de peixe mereceram os maiores encómios. O risotto de fruti di mare, de estalo, bem como o carré d'agneau ou a piccata.


Depois de muita divagação pela arte contemporânea e pela escultura chinesa, de que o Rui e o Manuel são profundos conhecedores, uma tarte tatin e frutos do bosque encerraram com eloquência tão aprazivel jantar.

Por isso repito com o Andrea. se fores ao Mónaco, não deixes de jantar no Rampoldi. E se gostares mesmo de cozinha italiana podes almoçar no La Pulcinella, que tem uma bela pasta, muitas fotos de celebridades, e é barato.

Rampoldi
3, avenue des Spélugues
98000 - Monaco
Tél:93 30 70 65
Preço médio de refeição:€60.

quarta-feira, setembro 06, 2006

QUARTO DE HOTEL ( 14) Hotel Hermitage

Em Fevereiro desloquei-me ao Mónaco para uma fatigante reunião cientifica. A viagem foi para esquecer. Com escala num terminal de Barajas estreado na véspera, o avião ficou em terra. Consegui lugar num voo nocturno, os meus companheiros de viagem nem isso, pelo que regressaram ao Porto. Coisas da Iberia.

Felizmente, depois de tão cansativa jornada por mim esperava uma confortável cama com lençóis de linho no Hotel Hermitage. Este histórico palácio Belle Epoque, construido em 1900, com vistas para o Porto d'Hercule, fica a dois passos do Casino.




O meu quarto era o mais simples, decoração clássica, com todo o conforto necessário. DVD, internet, closet, roupão e chinelos ( os russos é que sabem), 35m2, vista jardim. Quem pretender fruir das panorâmicas varandas sobre o Mediterrâneo terá de se preparar para dobrar o preço. Para magnatas do petróleo árabes e russos, ou estrelas de Hollywood as suites com jacuzzi no terraço, ou os exclusivos "Les Appartements" com 180m2 satisfazem todas as excentricidades.




O pequeno almoço tomei-o na Salle Belle Époque, com os seus frescos, as suas colunas de mármore rosa, candeeiros de cristal e jardim de inverno em aço e vidro desenhado por Gustave Eiffel. Nas mesas ao lado p meu olhar cruzava-se com distintos homens de negócios impecáveis nos seus Armanis, esbeltas top-models com os seus Cavalli e russos em roupão e chinelos.

À chegada ao Hotel deram-me uma Carte D'Or. Não, não era de morango. Era um cartão dourado que me dava acesso ao casino e às celebradas Thermes Marins de Monte Carlo, que muitos consideram o mais belo spa da Europa. Não conhecem, claro, o do Brenner Park em Baden-Baden. A piscina coberta é excelente, de água salgada, e o turco de dimensões" "olímpicas e ambiente romano. Pena que lá não estivessem as top-models. Nem mesmo as namoradinhas dos russos.


Jantei no restaurante do hotel, o Vistamar, com o Rui e o Manuel e respectivas esposas. Famoso pelos pratos de peixe, agradou sem entusiasmar. Em anterior visita com o Joaquim, celebrando o nascimento da Margarida, os risottos do chef Joel Garault deixaram melhores recordações.



Este Hermitage está à altura da aura de prestigio que o rodeia, com o glamour das grandes damas.

Hotel Hermitage, Square Beaumarchais, Monte Carlo, 98000 Monaco
Tel: (+377) 9806-4000
Quartos desde 250€.



sexta-feira, setembro 01, 2006

Emigrante ucraniana em Portugal

Sonia Delaunay, nasceu em Odessa em 1885. Em Paris juntou-se a Chagall, Picaso, Matisse, no movimento de refundação da pintura que se seguiu à era pós-impressionista. Aí chegada 1905, casou por conveniência com Wilhelm Uhde, coleccionador de arte, homossexual. Casa depois com Robert Delaunay em 1910, com ele desenvolvendo o Orfismo, versão lirica do Cubismo. A 1ª guerra, em 1915 traz, a convite do amigo Amadeo, o jovem casal a Portugal, a Vila do Conde (referida como aldeia piscatória nos biopics da pintora). Por lá ficou 2 anos, numa casa da Av. Bento Freitas. Sonia recorda nas suas memórias que o tempo que passou em Portugal foi o período mais feliz da sua vida. A luz, as cores intensas, e a simplicidade da vida rural do Entre Douro e Minho iluminaram a sua obra, reconstrução da forma pela saturação cromática e os ritmos. Cabazes, legumes, xailes. Composições vibrantes, de dinâmica centrifuga.

Nos anos 20 dotou o seu vanguardismo de um sentido comercial. Trouxe a arte para a vida quotidiana, no seu atelier de design de tecidos. Criou cenários para os bailados de Diaghilev. Desenhou roupas e chapéus. Frequentou as tertúlias surrealistas de Breton e Rimbaud. Nos anos 30 voltou à pintura juntando-se a um grupo que incluia Kandinsky e Mondrian, e que daria origem ao Abstraccionismo.

Em 63 doou cercade 100 quadros ao Museu de Arte Moderna de Paris, e tornou-se a primeira mulher a expor em vida no Louvre. Habituado a passar na casa onde antes habitara uma pintora que na adolescência eu pensara só conhecida pelos vilacondenses, foi com orgulho que descobri que no Centro Pompidou há uma sala exclusivamente devotada à arte deste casal ligado a Portugal e a Vila do Conde. Sonia Delaunay é um nome grande da pintura do séc. XX, presente nas colecções dos grandes museus, do MoMA em New York ( com "Mercado no Minho) ao Thyssen, em Madrid (com "Portuguesa)..

A última grande exposição de Sonia Portugal decorreu no Soares dos Reis em 2001. O grande acervo que deixou em Portugal torna possível encontrar ( e comprar) quadros seus em diversas galerias.