terça-feira, agosto 22, 2006

Orsay

Tendo já visitado alguns museus por esse mundo, o d' Orsay é o meu favorito e ponto de paragem obrigatório em qualquer visita a Paris. Pretexto para revisitar os mestres impressionistas e me deslumbrar com Rodin.











A antiga gare d'Orsay, de grande beleza arquitectónica, contém alguns dos quadros mais marcantes do impressionismo, obras primas como o "Dejeuner sur l'Herbe" de Manet, o "Gare de St. Lazare" de Monet, o "Bal au Moulin de la Gallete" de Renoir, "Lábsinthe" de Degas, ou a "Porte de L'enfer" de Rodin.

Mas na minha primeira visita um quadro se destacou entre todos. Um quadro pequeno no tamanho, tela de 84 por 74cm, grande na força. Lembro-me que estava a olhar para os quadros de Cézanne e a minha atenção foi desviada para um pequeno quadro que se encontrava na sala seguinte. Donde emanava tal magnetismo era de "L'eglise d'Auvers-sur-Oise" de Van Gogh.


Depois da sua estada em Arles e no Hospital Psiquiátrico de Saint-Rémy de Provence, van Gogh veio para Auvers-sur-Oise, perto de Paris acolhido pelo Dr. Gachet. Nos dois meses entre a chegada a Auvers e a sua morte , dois meses depois , pintou setenta telas. Se compararmos a igreja de Van Gogh com as catedrais de Monet, vemos que ele procura as impressões dos jogos de luz sobre o monumento, nem uma imagem fiel da igreja, antes uma forma de expressão.

A imagem de uma igreja geralmente suscita paz, serenidade, contemplação. Mas ao vermos esta igreja o que ressalta é a força, o mistério e a impetuosidade de van Gogh, que nos transmite o conflito que atravessa a sua alma. O azul cobalto da tormenta e os traços fortes e nervosos com que é pintada faz-nos pressentir uma catástrofe que se aproxima.

Para além da admiração que nos suscita este quadro devemos olhá-lo com afecto e respeito, porque se trata do legado de um dos maiores génios da pintura.

2 Comments:

Blogger Fernando_Vilarinho said...

http://www.yomiuri.co.jp/dy/world/20060823TDY03003.htm

1:33 da tarde  
Blogger fvaz said...

Conheço relatos deste género. O professor Ferraz Oliveira fez inúmeras viagens a África, operando centenas doentes com cataratas. Consigo levava caixas com imensos óculos que eram escolhidos pelos habitantes locais como o Fernando escolhe sapatos, provavam e diziam : este está bem.

8:43 da tarde  

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