sexta-feira, julho 28, 2006

Fettucine Alfredo

Quem é que nunca comeu um Fettucine Alfredo? Aqui come-se o original. Que o próprio Alfredo inventou em 1924 para a sua esposa grávida. E que não tem nada a ver com o que se come cá pelo nosso burgo.

O restaurante é decadente, mas é uma instituição. Numa sala moderna, num edificio de arquitectura fascista,repleto de velhas fotos de celebridades, de Mary Pickford e Douglas Fairbanks a Sofia Loren e John Kennedy. A clientela é maioritáriamente composta por turistas, por isso os romanos evitam-no.


Mas o maestossissime fettucine é a única coisa que vale a pena comer aqui. O seu camariere trará a pasta de ovo fresquísima, com manteiga e mistura o Parmigiano-Reggiano à nossa frente. Voltas e piruetas, e quando chega à nossa boca ainda está miraculosamente quente. E saborosa, al dente. O segredo está seguramente na pasta, dado que é a melhor que alguma vez comi ( próxima desta só na Finca Narbona, no Uruguai).

Por isso, este Alfredo é também poiso obrigatório de qualquer roteiro de Roma.

Da Alfredo Imperatore
Piazza Augusto Imperatore, 30
Tel. 06.68.78.734

Via Condotti

Roma é também um destino de compras. A sua grande vantagem em relação a outras grandes capitais é a concentração. Três estreitas e curtas ruas ( Via Condotti, Via Borgognona e Via Frattina), paralelas, delimitadas pelas Vias del Corso e Babuino concentram o melhor que há no mundo da moda. Tudo o que é"top brand" está lá.

Deixo-vos um possível top-30.



Armani, Bally, Laura Biaggioti, Brioni, Bulgari, Burberry, Cartier, Chanel, Cavalli, Dior, Dolce & Gabanna, Fendi, Gianfranco Ferré, Ferragamo, Gucci, Hermés, Iceberg, La Perla, Les Copains, Louis Vuitton, Bruno Magli, Max Mara, Missoni, Mont Blanc, Moschino, Prada, Pollini, Valentino, Versace, Zegna.




Para além destas luxuosas lojas, que vale a pena visitar, mesmo que sem intenção de comprar, há outras, onde se fazem boas compras, a preços bem razoáveis.


Para além do charme da zona, junto à Piazza di Spagna e da Scalinata di Trinitá dei Monti.



Num intervalo das compras não deixe de ir ao Caffè Greco, fundado em 1760,por onde clientes como Casanova, Keats, Goethe,Stendhal, Liszt, Byron, Buffalo Bill ou Luis da Baviera. É o "Majestic" de Roma.

Se gostar mais de chá, à esquerda das escadas tem a Babington’s Tea Room, fundado em 1896, tipicamente inglês, com toda a variedade de chás e scones.

Se precisar de almoçar ou jantar o Da Mario, restaurante informal, mas simpático, com boa pasta e um tiramisu de perdição proporciona uma refeição agradável e barata.

Vinhos Campeões do Mundo

Selecção de vinhos disponiveis na Vinho e Coisas, altamente cotados por Robert Parker, o homem que determina a cotação do mercado de vinhos mundial. A explorar. Notas de prova seguirão mais tarde.










Aldo Conterno Cicala Barolo 1997 €39 Parker 91

Elio Altare Barolo Bruneto 1996 €76 Parker 92

Antinori Badia Pasignano Chianti 1996 €32 Parker 91

Prunotto Bussia Barolo 1997 €48 Parker 94

Fattoria di Felsina Chianto 2000 €26 Parker 92

quinta-feira, julho 27, 2006

DVDteca - Grandes Mestres do Cinema (12)

Com Decameron, bem como em “Os Contos de Canterbury” e as “Mil e Uma Noites”, que completam a Trilogia da Vida, Pasolini exalta a alegria, o corpo e a vitalidade sexual. O filme adapta nove contos de Boccacio, o grande poeta e cronista do séc. XIV.

A alegria que decorre do optimismo histórico de Boccacio resulta da revolução burguesa, na qual Boccacio vivendo nessa época de explosão, de nascimento, pressente uma nova era. E esse optimismo, racional e lógico, faz com que a sua obra seja uma ode à alegria.

O registo é o de comédia moral anti-clerical. A variedade de contos permite uma lição de moral para cada dia da semana e duas para o fim de semana. Um jovem que vai a Nápoles comprar cavalos é enganado duas vezes, mas excrementos podem ser sinal de dinheiro. Um homem passa-se por surdo-mudo num convento cheio de freiras, depois de ouvir contar histórias da sua insaciedade. Um grande pecador, às portas da morte, decide alterar o registo da sua memória no mundo. Uma mulher que engana o marido recorre à porcelana para evitar o flagrante. Três irmãos vingam-se da desonra da irmã. Uma jovem dorme no terraço para poder receber o amante, e para ouvir os rouxinóis. Um padre tenta transformar a mulher do amigo numa égua, a pedido destes. Dois amigos, um deles pecando sem interrupção com a sua comadre, fazem um pacto; o primeiro que morrer volta para contar. Alguns momentos de grande comédia, em redor de um característico género de literatura medieval, que jogava com humor baseado em infidelidades, sexo promíscuo e humor abaixo da cintura, particularmente baseado nos órgãos excretórios humanos e nos respectivos produtos.


Os dois episódios-guia são o de Ciappelletto (Franco Citti: personagem libertino e imoral mais que assassino, que no momento da morte se faz passar por santo) e o de Giotto, interpretado pelo próprio Pasolini: retrato autobiográfico, que nos mostra a sua ligação com a vida,o sonho e a arte. Gitto/ Pasolini, olhando para o seu filme dirá: "Para quê realizar uma obra, se é tão belo apenas sonhá-la?” . Representação dum sonho, e reproduzido em imagens cinematrográficas que se assemelham à pintura renascentista. Temas do sonho são o Paraíso (com o mito Silvana Mangano como Madonna) e o Inferno, para o qual é escolhido o dialecto napolitano.


A sexualidade e o modo como Pasolini a apresenta, criaram polémica na católica Itália dos anos 70. O filme foi acusado de pornografia e tentativas de censura, o que também contribui para o sucesso do filme, que tinha sido premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim de 71..

Para aqueles que agora descobrirem Pasolini este é também o filme ideal para explorer a sua obra, porque todo o modus operandi do realizador está patente no filme, nomeadamente o ambiente sujo, a utilização de luz natural e de actores amadores, que parecem escolhidos a dedo pelos seus genuínos rostos e expressões de uma inocência quase surreal. O filme captura a beleza radiante do Verão, com paisagens douradas salpicadas de flores, o azul pastel dos céus, o som dos grilos, quase sentimos o cheiro da terra, De grande beleza pictórica o filme enquadra a o esplendor da paisagem com a miséria e a desgraça, recriando quadros de Leonardo, Michelangelo, Rafael, Caravaggio e Giotto.

É indubitávelmente uma obra prima, que ora nos enternece, ora nos choca, intersectando beleza sensorial com acutilância política e social.


DVD: Decameron (1971) , na FNAC por €24.9
0. Também se recomenda "Teorema"(68), "Contos de Canterbury"(72), "As mil e uma Noites" (74) e "Salô ou os 120 dias de Sodoma "(75), na FNAcC, € 24.90. O pack com os 3 filmes da Trilogia da Vida está â venda igualmente na FNAC por €79.

Michelangelo


Muitos dirão que visitar Roma sem ver o Papa é uma visita incompleta. Com todo o respeito e admiração por João Paulo II eu direi que visitar o Vaticano sem ver Michelangelo,isso sim, é pecato.

Começando pela sublime Pietá, logo à entrada da colossal Basílica de São Pedro, supremo contraste entre o esmagador e a delicadeza da beleza absoluta conferida pela dor que leva à redenção.

Mas o seu capo lavoro é a Capela Sistina, encomenda do Papa Júlio II. Com 33 anos, Michelangelo tinha pouca vontade em executar o trabalho pois sendo escultor gostava de atacar o mármore com martelos e cinzeis, não pasteis e pinceis. Resistiu, sugeriu Rafaello, tendo sido os seus inimigos que convenceram o Papa a imcumbi-lo de pintar a abóbada, convencidos do seu fracasso. Michelangelo enclausurou-se quatro anos na Capela, mantendo a obra escondida por tapumes. Completou-a em 1512.

20 anos depois outro papa, Paulo III, chamou-o para pintar a parede do altar. Ele tinha 60 anos, fizera as grandes esculturas de Florença, e tentou resistir outra vez. Acabou por fazer o "Juízo Final" no qual trabalhou cinco anos tendo-o apresentado 1541.

Quase não há profundidade no fresco. Michelangelo eliminou praticamente todas as referências espaciais para concentrar a potência visual e simbólica nos corpos, a maioria nus. Apoteose de corpos, num espaço sem existência. Sobrepostos, contorcidos, nenhum gesto é repetido.

Cristo sem barba nem cabelo longo, fugindo aos cânones da iconografia. A seu lado, uma Madonna parece um tanto assustada. Alguns acharam que os nus eram demais e inapropriados para uma capela papal e depois da morte de Michelangelo, alguns véus e tecidos foram acrescentados em defesa do pudor.
Os trabalhos de restauro a que os frescos da Sistina foram sujeitos entre 1980 e 1994, coordenados por Gianluigi Colalucci, mas devolveram à obra de Miguel Ângelo a exuberância de cores original, o que gerou grande controvérsia para os que tinham amado Miguel Ângelo naqueles tons pastel, e não nas cores vivas, delicadas e sensíveis dos maneiristas. Como só apreciei a obra de restauro, por entre uma cáfila de turistas japoneses que disparavam flashes apesar de uma inequívoca proibição, apenas direi que me embasbaquei com o esplendor do maneirismo.

PS1: Não sou racista, mas reconheço que tenho preconceito em relação a senhores amarelos com Sonys a tiracolo.

PS2: Se eu me embasbaquei com a capela Sistina, a Margarida ao entrar com seis meses na Basilica, ao olhar para cima, vendo o tecto tão lá no alto ficou...sem palavras.

quarta-feira, julho 26, 2006

Jardins de Russie




Já por duas vezes experimentei o prazer de jantar no Jardins de Russie, onde o chef Nazzareno Menghini nos presenteia com uma cozinha aromática, de encher o olho e também o palato. Na primeira delas em 2003, a experiência não foi disfrutada na plenitude porque a Margarida, então com seis meses precisou que o pai a passeasse durante o repasto, pelo que comi nos intervalos dos périplos . E perdi o convívio que um bom jantar com os amigos proporciona. Claro, ganhei o admiração da minha filha, que escutou deleitada a minha dissertação sobre a garrafeira do restaurante.

Em 2005 voltei lá com o António, o Joaquim e o Manuel. Foi um jantar memorável. Pela comida e pela tertúlia. Um inspirado Joaquim deixou-nos algumas máximas impagáveis. Verdadeiros guidelines, quer no plano profissional, relações pessoais ou familiares. Foram três horas de divertimento puro, sem preocupação se o serviço era demorado.

De entrada provei um fanstástico risotto al piccione e tartufo nero. Confesso que pedi no escuro, amante que sou de risotto e trufas. O piccione assemelhava-se a magret de pato, mas muito mais saboroso. Perante o agrado que suscitou e a curiosidade geral chamou-se o camariere que exclamou " Oh, it is pigeon". Pombo era. Fantástico. Ainda bem que nessa noite a Margarida não estava comigo, de contrário ela ia ficar horrorizada com o papá.


Foram também provados o foie gras e uma salada de legumes salteados com trufas brancas e 'Orecchiette', uma Pasta com mexilhão e creme de courgette.A entrada foi regada por um Barbaresco Cascina Bordino , muito cotado na Wine Spectator, que agradou mas não empolgou.

No prato principal comi "Sella di Agnello" picante com Caponatina, um molho agridove com pimentos e polpa de uva, divino. Houve quem me acompanhasse, outros optaram por scampi ( lagostins) ou pato com laranja. Este prato principal foi acompanhado por um potente Clos martinet, um grande vinho do Priorat, este sim a justificar os mais de 90 pontos da WS e do "wine guru" Robert Parker.


Na sobremesa repartimo-nos entre Zuppa di fragole (sopa de morango ) all’erba Luisa con gelato al lampone ( framboesa) e o fondente al cioccolato. Seguiram-se os espressi e uma grapa.


Foi efectivamente uma noite memorável. O recolhimento decorreu sem incidentes, dado que a viagem de elevador foi curta.

Jardins de Russie
Via del Babuino 9 | 00187 Rome
Refeição com entrada, prato, sobremesa e vinho médio por 80€/pessoa. a nossa foi um pouco mais cara porque nos vinhos escolhemos com extravagância.

Roma, Cidade Aberta


Roma é amor à primeira vista. Não sendo uma cidade monumental, como Paris ou Viena, antes caótica e desleixada, encanta pela sua alma, pelo seu pulsar, pelos romanos sentados numa soleira a aproveitar o Sol no intervalo de almoço, pelo gesticular das suas gentes. Mas o que nos cativa em Roma são a luz, as praças e as fontes.

E se o ícone de Roma é o Coliseu, a Fontana di Trevi é a fonte do meu imaginário.

Local de culto cinéfilo, desde o banho de Anita Ekberg na "Dolce Vita". Local de celebração dos tiffosi. Local de peregrinação dos turistas, há que disputar as fotos com as hordas de turistas japoneses carregados de sacos da Louis Vuitton e da Bulgari.

terça-feira, julho 25, 2006

QUARTO DE HOTEL ( 12) Hotel de Russie


Vintes anos passados, o gosto refina-se, o peso aumenta e a despesa também. Daí que gaste mais numa noite de Hotel hoje que antes num mês de férias. Mas o Hotel de Russie vale todos cêntimos.

Localizado na Via del Babuino, a dois passos da escadaria da Piazza di Spagna, e das famosas Via Condotti e Via Borgognona, este antigo Palácio da família imperial russa, desenhado em 1816 por Giuseppe Valadier, foi transformado pela requintada cadeia Roccoforte no mais elegante Hotel de Roma.



Os seus jardins encantam os hóspedes que aí se refugiam do frenesim da cidade. No terraço é oferecido jantar al fresco, embora eu recomende o restaurante Jardins de Russie, que merece um post autónomo.

Os quartos estão decorados com fotografias de flores de Robert Mapplethorpe. As paredes em tons pastel retemperadores. Lençois de linho. Casa de banho em mármore ou mosaico. 90 quartos, desde os Studio room com 45m2, vistas para a Piazza del Poppolo e banheiras para dois, até 3 Single room, com 23 m2. 30 suites desde os 70m2 da Executiva, com quarto sala e escritório, com TV B&O, às junior e as suites da cobertura, a Picasso, a Popolo e a Vaseli, todas com grandes terraço que espreitam a monumentalidade de Roma. A Picasso é poiso habitual de George Cloney e Robert de Niro. Na minha estada no Hotel cruzei-me com Forest Whitaker, quem sabe se em filmagens do "Mary" de Abel Ferrara. Com tal frequência é com naturalidade que o Hotel inaugura por estes dias a Suite Fellini.



O Spa tem piscina de hidromassagem, jacuzzi, sauna e turco. Se pensa que se pode lá cruzar com a Angelina Jolie ou Monica Belluci desiluda-se. Quando elas lá vão o Spa fecha.


O Stravinskji Bar é famoso pelos seus Martinis e pela gente que o frequenta.

O serviço é excelente, por uma equipa jovem e atenciosa. O concierge consegue milagres nas marcações seja para jantar seja para espectáculos.

Hotel de Russie | Via del Babuino 9 | 00187 Rome | Italy
Tel: +39 06 32 88 81 | Fax: +39 06 32 88 88 88
E-mail: reservations@hotelderussie.it
De 400 a 3000€ (Suite Picasso) por noite.

A leste algo de novo

Toda a gente sabe que a bebida nacional na Rússia e na Ucrânia é a vodka, que é com ele que os eslavos conseguem aquecer-se durante os frígidos invernos...Acontece que por ali também se bebe cerveja e, frequentemente, de grande qualidade. O meu contacto com estas "loirinhas" eslavas começou quando porcuriosidade entrei numa dessas lojas de produtos russos e ucranianos, que pouco a pouco começam a surgir por todo o lado. Deparei com uma prateleira cheia de apelativas garrafas e, fazendo jús ao espírito aventureiro e explorador do povo português, resolvi levar para casa alguns exemplares para poder avaliar devidamente a categoria do produto. Tenho que confesssar que fiquei surpreendido com os resultados desta prova aleatória, o que me levou a voltar ao referido estabelecimento para poder continuar a minha investigação. Embora limitado apenas ao material disponível na altura, posso, apesar disso, partilhar algumas das minhas descobertas.

Antes demais, é de salientar que as garrafas têm uma capacidade mínima de 500 ml, o que me parece uma óptima escolha, evitando o minimalismo dos habituais 330 ml, corrente no nosso país, e que por vezes nos obriga a duplicar desnecessariamente a dose...

Começando pela cerveja russa, recomendo vivamente a Báltika, que muito curiosamente se apresenta em várias versões numeradas de acordo com as suas características próprias:

A Báltika 0 é, como seria de esperar, uma cerveja sem álcool;

a Báltika 1 é uma cerveja light, com 4,4º;

a Báltika 2 correspondia a cervejas com sabores (cereja, limão, etc.) cuja produção foi entretanto suspensa;

a Báltika 3 (classic) tem 4,8º;

a Báltika 4 é uma cerveja preta;

a Báltika 5 (gold) tem 5,2º;

a Báltika 6 é tipo Porter (morena) com 7,0º;

a Báltika 7 (premium) tem 5,4º;

a Báltika 8 é uma cerveja de trigo (weissbeer);

a Báltika 9 (strong) tem 8,0º;

a Báltika 10 (jubilee) é uma edição especial com 5,2º .

Pessoalmente, prefiro a 5 e a 7 que são das melhores cervejas Lager que tenho provado.

Como curiosidade, refira-se que a Báltika, cuja propriedade inclui participações da Newcastle e da Carlsberg, possui 18 fábricas de cerveja (10 na Rússia, 4 nos países bálticos, 3 na Ucrânia e uma no Casaquistão), entre as quais a maior da Europa, situada em S. Petersburgo.

Quanto às cervejas ucranianas, as principais fábricas situam-se em Kiev, com a marca Obolon, e em Lvov, pátria da Lvivskie Piwaria, com as referencias Svitle (light) com cerca de 3,5º e a 1715, com 5,2º. Não gostei de nenhuma das cervejas da Obolon, que me pareceram algo insípidas, pelo que não as recomendo, opostamente à 1715 que merece um lugar entre as melhores marcas européias.

segunda-feira, julho 24, 2006

San Gimignano

San Gimignano conserva todo o seu esplendor de cidade medieval e percorrendo-a sentimos a envolvência da sua longa história.

"Città delle Belle Torri" como a definiram, musa inspiradora de E.M.Forster e Henry James. Cidade que ao longe nos aparece soberba com as suas altas e esplendorosas torres. As Torres por si só justificam a visita a San Gimignano, mas para além delas os torreões, as portas, as fontes, a cisterna, as velhas e estreitas vielas, o velho casario do séc. XIII, os telhados.. E a beleza sublime da Catedral.


Assim è San Gimignano:o fascinio e a beleza medieval, a linguagem imutável de cada casa e cada rua, o tempo longinquo que se fechou sobre si mesmo em cada muro, fazem de San Gimignano uma pequena mas preciosa jóia da Bella Toscana.

Verão Azzurro




Foi já há 21 anos que passei umas férias inesqueciveis em Itália. Com os meus amigos de sempre Carlos, João, Zé Luis e Zé. Ao rever as fotos recordo-me do comentário da Paula em 95: “Parecem dez anos mais novos”. Efectivamente.

Partimos no “velhinho” Mercedes do Porto para Ferrara, a nossa base, ao abrigo de um intercâmbio de estudantes. Depois de escala em Barcelona, com aventura na Sagrada Familia, e Nice, “na volta é que vai ser”, lá chegamos a Ferrara. O velhinho nas curvas de Rapallo começou a gastar mais óleo que gasóleo.

O alojamento era numa residência Universitária, na Via Mortara. O Carlos ficou com um quarto só para ele. Eu,o João e o Zé dormimos 3 semanas num impecável colchão de granito.

Nesse Verão de 85 decorria o Live Aid, que seguimos num cinema ao ar livre, entre uma Wunster, Straciatella e um bichiere d’aqua frisante. Descobrimos o surrealismo em De Chirico no Castelo Estense. Percorremos o Corso della Giovecca e admiramos as bicicletas.



Estávamos no século passado, er
a sem telemóveis nem multibanco (e claro, sem net), comunicar com as namoradas era dificil e caro, e por vezes apanhavamos com a sogra. Por isso as cartas, hoje em vias de extinção, ainda tinham a sua utilidade.

Férias low budget ( 60 contos cabeça, por um mès) condicionavam as refeições, para mais porque os enchidos pagavam-se ao etto. Lembro os “fabulosos” bifes de fiambre com tagliatelle al pommodoro.Valia-nos que a fruta era gratuita, nos pomares entre a cidade e a praia, pela noitinha. O Carlos era contra... excepto quando bebia 2 canecas.


A praia, em Comachio e Lido di Spina, era fantástica. O Adriático tinha uma água azul turquesa de temperatura apelativa. Apelativas eram também as italianas, belíssimas. Nessa altura não havia globalização pelo que a moda italiana não chegara ainda a Portugal. Daí o nosso encanto com as meninas Valentino ou Versace. O problema eram os meninos Zegna e Armani. Não davam hipótese, defendendo como autênticos Materazzis. Por isso um dia o Zé, com grande currículo no Porto, declarou: “Esta noite senão for uma é um...”. Mas foi o Carlos quem teve uma fiesta brava.

Pelo meio tivemos a visita do Nuno e do Miguel, hoje homens do Curtas de Vila do Conde, e do Rui, hoje na TAP, homem capaz de declamar Bocage uma noite inteira.

Pontos altos foram as visitas a Florença e Ravenna. E claro, as festas do L’Unitá, orgão do PCI, nas mais reconditas aldeias. Uma noite, depois de “apreendermos” uma bandeira do Partido, o Zé Luis ainda convenceu o sindaco local a ofertar-nos outra. Premonição? Talvez, de votante no CDS em 85 progrediu até ao BdE em 2004.

No regresso, escala em Veneza, onde depois de acordarmos todo o parque de campismo, instalamos um inovador sistema de alarme no bungalow : “vassoura na cabeça do Carlos”. Na gôndola o João foi abençoado por uma gaivota e o Zé Luis convenceu o Carlos que trouxe um mosaico de São Marcos, E Milano. Depois de uma corrida de llamas e um grande prémio no Monaco, montamos a tenda em Nice e Andorra, onde um almoço à base de queijo e chocolate fez com que o Zé na chegada ao Porto ficasse inapto para umas Tripas na Ribeira.


DVD : "Amici Miei" (1975) de Mario Monicelli
"Live Aid 85"

CD: " How I wish you Where Here" dos Pink Floyd
"Brothers in Arms" dos Dire Straits
"Just One Night" de Eric Clapton
"Also Sprach Zaratustra" de Richard Strauss pela Berlin Philarmonica