domingo, maio 28, 2006

Selvagens e Perigosas


A chita é o animal selvagem mais belo e sedutor que existe. Felinos, parecem gatinhos a ronronar, quando têm a barriga cheia, deitadas ao sol.

Tive a felicidade de as ver caçar. Pareci um documentário do NG ao vivo.A busca, a escolha, a velocidade, as mudanças de direcção, a imperiosa necessidade de não falhar. As chitas não acusam a pressão.

Para vos abrir o apetite deixo-vos imagens da sua refeição (a caçada virá depois, que isto de scanear slides tem que se lhe diga...). Impala devorada em escassos minutos, não fossem chegar as hienas ou os leões. Enquanto as outras comem, uma está sempre vigilante, E no fim, voltam a ser gatinhos, lambendo o focinho, para lhes tirar aquela cor vermelha da face.

sábado, maio 27, 2006

Avó Maria



"...Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti"


in " Adeus Português" de Alexandre O'Neill


Para a Avó Maria (1907-2006), grande mulher, alentejana, pura.

quinta-feira, maio 25, 2006

Jantar Vinalda - Penfolds no Bull & Bear



A propósito da apresentação de alguns dos grandes vinhos Penfolds ( faltou o Grange Shiraz ) a Vinalda e Miguel Castro Silva organizaram no Bull & Bear um evento gastronómico memorável. O chef decidiu apresentar as tendências da nova cozinha australiana e harmonizá-la com os vinhos a provar, o que foi plenamente conseguido. Mescla de influências francesas, italianas e asiáticas, a cozinha australiana mostrou diversas combinações interessantes, que Miguel Castro Silva irá aproveitar em futuras ementas.

Depois de um Mexilhão com molho de Lima e Citronela, fresco e suculento, seguiu-se a elegância de um Soufflé de Camarão e Espargos verdes, perfeito na combinação com o Chardonnay 2004.

Estava fabuloso na harmonia com o Bin 407 Cabernet Sauvignon 2002 o Bolo de Arroz de Abóbora com Pato Fumado. O Risotto de cogumelos e espinafre com pancetta frita estava ao nível dos risottos da casa, e foi acompanhado por um Bin 128 Coonawarra Shiraz 2001.

O Bin 389 Cabernet Shiraz 2002, grande vinho, acompanhou uma sublime Costeleta de Borrego enxertada, tarte de batata e ratatouille. Para prato final um fantástico Lombo de Vitela recheado com tomate seco, que adquirindo o picante do própio tomate tomava sabores inesperados, casando na perfeição com as especiarias do Bin 707 Cabernet Sauvignon 1998.

Na sobremesa repetiram-se os dois Cabernets, o 407 acompanhar um delicioso Pudim de Banana e Noz, e o 707 com um clássico do Miguel, queijo da serra com chutney de maçã.

Parabéns à Vinalda pelo lote de vinhos provados ( de que daremos nota detalhada noutro post) e a Miguel castro Silva pela excelência da sua cozinha.

Concertos no Mundial 2006

Mettalica: 8/6 em Arnhem, Holanda

Roger Waters: 8/6 o Mundial abre com The Wall em Berlim

Red Hot Chili Peppers: 12/6 em Dortmund

Eric Clapton: 13/ 6 em Colónia, para saborear o triunfo sobre Angola ou em 23/6 em Manheim, para relaxar antes dos 1/8 de final.

Ben Harper: 22/6 em Amsterdam

The Strokes: 26/6 em Colónia, 27/6 em Berlim

quarta-feira, maio 24, 2006

Broken boy soldier

Finalmente chegou-me via amazon.uk o CD “Broken Boy Soldiers”, da nova banda de Jack White Les Raconteurs. É um grande album de rock and roll , mescla perfeita do rock de White e o pop de Brendan Benson, seu vizinho de Detroit e companheiro de viagem juntamente com o baixo (Jack Lawrence) e bateria (Patrick Keeler) dos garage rock The Greenhornes.

A abrir “Steady as she goes” exemplar na fusão das guitarras dos White Stripes com os arranjos e a voz claramente pop, agarra-nos às primeiras batidas, persistente e insinuante. A segunda faixa, “Hands” mostra as influências dos Beatles em Benson, melódica, logo nos vemos a fazer coro, uhuh uhuhuh, mas em “Broken Soldiers”, Jack White toma o comando e os Zepellins voam alto. E não falta uma balada, “Together”, que seduz e ilumina. Em “Intimate secretary” e o psicadélico “Store bought bones” o ping-pong Jack / Brendan continua, em “Yellow Sun” revisitamos os sixties, ”Level” ou “Blue Vein” levam a marca vermelho e branca de Jack White e “Call it a day “ a de Benson.

"Broken boy soldier" não será o melhor album do ano, mas é o melhor do trimestre. Ouve-se com agrado, e a alegria transvasa dos músicos pelos nossos ouvidos. É uma lufada de ar fresco, e oLes Raconteurs não serão apenas um grupo do momento, com som e identidade próprias. Os fantasmas dos Led Zeppelin, Velvet Underground (Lou Reed hoje ao vivo em NY no World Trade Center) e Beatles flutuam pelo álbum. E quem se queixa?

Les Raconteurs ao vivo em Colónia a 29/6. Perfeito para combinar com o Portugal-Inglaterra a 1/7 em Gelsenkirchen ,1/4 final do Mundial ( o sonho comanda a vida).

Em alternativa concerto a 25/8 em Paris.

CD: "Broken Boy Soldiers", na amazon.uk € 13.17; download na iTunes € 9.90

domingo, maio 21, 2006

DVDteca - Grandes Mestres do Cinema (7)

RAN (1985) de Akira Kurosawa

Akira (“O Luminoso”, em japonês) Kurosawa nasceu em Tóquio em 1910, numa família descendente de samurais.. Pela mão de seu pai tornou-se amante do cinema e do kendo, mas para desapontamento do progenitor tornou-se um homem da sétima arte em detrimento das artes marciais. Os seus primeiros filmes realizados durante a 2ª grande guerra, são marcados pelo conflito com os americanos. Em 1948 inicia a colaboração como seu actor símbolo (Toshiro Mifune) que se prolongaria por dezasseis filmes.

Em 1951 surge a consagração internacional com Rashomon ,Leão de Ouro em Veneza. E Óscar de Melhor filme Estrangeiro. Seguiu-se Ikuru, Urso de Prata em Berlim no ano seguinte(voltaria a ganhar com”A Fortaleza Escondida” em 1958 .Derzu Usala ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro em 1975 e Kagemusha (1980) a Palma de Ouro em Cannes.

Dos seus filmes foram feitos remakes que deram grandes êxitos comerciais como “Os Sete Samurais” , homenagem de Kurosawa a Ford que originou “Os Sete Magnificos”, ou Yojimbo que foi pirateado por Sergio Leone em “Por um Punhado de Dólarese adaptado por Walter Hill em 1996 em “Last Man Standing”. “ A Fortaleza Escondida” foi fonte de inspiração de George Lucas para a saga da “Guerra das Estrelas”.

Em 1970 realiza Dodes Kaden história de um bairro de lata, poema a cores marcadamente fortes, em que seguimos uma crinça deficiente mental que conduz um comboio imaginário. Foi um dos filmes mais belos que vi, e só não o escolhi para ilustrar este texto porque só vi o filme em TV e não conheço o DVD. Foi um fracasso de bilheteira e crítica,o que levou Kurosawa a tentar o suicidio.

Com o apoio de George Lucas e Coppola filma em 1980 "Kagemusha" ,épico histórico, que muitos consideram um esboço da sua obra prima Ran.

Ran é um filme épico, grandioso mas intimista, amargo retrato da condição humana, em que vamos desfolhando o carácter e as traições do personagens para encontrarmos um mundo sem Deuses. Combinando energia e estase, a perfeição estética do filme mascara a anarquia emocional que o percorre.Tal como muitos dos seus personagens o filme parecendo uma coisa revela-se muito mais complexo, fazendo jus ao título cuja tradução significa Caos.

Adaptação de “King Lear” às lendas e fábulas do Japão do séc. XVI, segue a estrutura em cinco actos da peça de Shakespeare. Hidetora , um senhor da Guerra envelhecido divide o seu reino pelos três filhos. O mais novo, e favorito, discorda da decisão do pai, e é banido. Os mais velhos assumem o poder, mas a transição pacífica que o velho idealizara, esfuma-se entre traição e vingança,poder e ganância. Hidetora submerge na loucura à medida que observa a desintegração apocliptica do seu reino, com ele as pontes que unem pai e filho, irmão e irmão, samurai e o seu senhor. Personagem marcante do filme é também Kaede, que se vai vingar de Hidetora pelo assassinato dos pais , usando, para tanto, primeiro Taro, seu marido, e depois Jiro, que a toma como esposa após matar o irmão mais velho em combate.

Ran é o filme testamento de Kurosawa. Quem pode suportar um filme em que Deus está presente mas é impotente, familiares traem-se mutuamente e a loucura é o único caminho para a sobrevivência? Kurosawa seduz-nos com a beleza das imagens para nos fazer apreciar um conto sobre a maldição humana.

Kurosawa usa a paisagem para realizar a sua visão. A rodagem do filme foi feita no Monte Aso, um vulcão activo na ilha de Kyushu, tendo obtido autorização para filmar nos castelos de Kumamoto e Himeji; o terceiro castelo que desaba em ruínas após um incêndio foi inteiramente construído para o filme nas encostas do Monte Fuji. , Os 1400 fatos usados no filmes foram feitos à mão, num trabalho que levou três anos a executar

Kurosawa gastou dez anos a preparer todos os detalhes, pintando centenas de telas com as cenasdo filme. O que explica a maestria estética de Kurosawa, que filmando a mesma cena com diferentes câmaras e ângulos, nos agara logo na primeira cena, em que as nuvens pressagiam a tempestade, e apesar do silêncio de quatros cavaleiros estáticos, há uma intensa dinâmica visual. O contraste terra e céu, a reduzida profundidade de campo conseguida pela teleobjectiva, a tensão conseguida pela direcção completamente distinta dos olhares de cada cavaleiro e o mistério do que esses olhares buscam.

A cena da batalha, que terá inspirado Spielberg em “O Resgate do Soldado Ryan” é considerada uma das mais grandiloquentes cenas alguma vez filmadas. Vista de um ponto de vista distanciado e omnisciente, até uma nova atrocidade ser lançada por Kurosawa para a cena. O seu transcendente poder desta decorre da ritualização das cenas que o precedem e do seu final, em que Hidetora rodeado dos seus samurais abandona o seu castelo em ruínas.

A montagem do filme é espantosa, criando um efeito de acelaração da acção, intoduzindo uma acção mais tardia numa cena, saltando de uma para outra. O que podemos apreciar na cena final em que um cego caminha para um precipicio, e Kurosawa nos mostra um vermelho infernal num mundo plano e desolado, num profundo contraste com o verde e o azul da abertura.

Yôko Yaguchi, esposa de Akira Kurosawa faleceu durante a rodagem do filme, mas as filmagens apenas foram suspensas por um dia.

Cidadão do mundo, Kurosawa bebeu na arte e na cultura ocidentais, sem maiores temores. “Não importa para onde eu vá, e embora não fale outra língua, nenhum lugar é estranho o suficiente para mim. Sinto que a Terra é meu lar. As suas incursões foram além da música de Beethoven, Haydn e Schubert, que usou nas bandas sonoras dos seus filmes. Apaixonado por Shakespeare, adaptou Rei Lear e Macbeth; O Idiota, inspirado da obra de Dostoiévsky, e Ralé, adaptado na obra de Gorki. Mas nada se compara ao seu amor pela personalidade controversa e pela obra genial de Vincent Van Gogh no episódio “Os Corvos”, do filme Sonhos


Em 1990, recebe o Oscar Honorário pelo conjunto de sua obra da Academia de Hollywood.

"I once asked Akira Kurosawa why he had chosen to frame a shot in Ran in a particular way. His answer was that if he he'd panned the camera one inch to the left, the Sony factory would be sitting there exposed, and if he he'd panned an inch to the right, we would see the airport - neither of which belonged in a period movie. Only the person who's made the movie knows what goes into the decisions that result in any piece of work." (Sidney Lumet in Making Movies, 1995)

Aqui podem ver o trailer.

DVD: "Ran" (1985) Edição Prestige, com libreto com 80 páginas €27.51 na amazon.fr; € 43.90 na FNAC (importado).

Outros DVD´s recomendados: "Kagemusha" (1980) 22.01 na amzon fr; "Sonhos" (1990) €14.99 na amazon.fr; Dodes'kaden ( vai ser lançado na amazon em Junho) €24.98 , na dvdgo já existe uma versão espanhola. "Sete Samurais" € 17.95 na FNAC.

quinta-feira, maio 18, 2006

TABLES DU MONDE (6) PALME D'OR



A propósito do Festival de Cinema que hoje se inicia recordo um repasto no Palme d’Or, restaurante de alta cozinha sito no Hotel Martinez, um dos locais mais procurados pelas estrelas que ora visitam Cannes.

Propriedade da família Taittinger ( do champagne homónimo) , tem uma decoração art-deco, com fantásticas janelas panorâmicas que se abrem sobre a baía ou um jardim de inverno, e dotado de terraços sobre a piscina, o mar e La Croisette. Local ideal para ver e ser visto em época de festival, foi por mim visitado num recatado mês de Janeiro do milénio passsado.

Passados estes anos não consigo recordar-me do que comemos. Recordo um jantar memorável, em que optamos pelo menu Palme d’Or, do criativo chef Christian Willer. O serviço era irrepreensível, com mais de um empregado por cliente. A apresentação dos pratos era soberba, sendo servidos os pratos dos seis comensais em simultâneo, com seis garçons cordenados por um maître. E ao sinal “et voilá” eis que os pratos se revelavam.

Deixo-vos com o actual menú Palme D’Or que mantem muito do que foi o nosso jantar (nomeadamente o gosto pelos espargos e moluscos).

Palme d’Or 145 €

Os legumes em Emulsão de cenouras com chocolate e morilles
Os Espargos
« da terra ao fogo » com sabayon de ananás e presunto caramelizado com vinagre de cidra
Ou

Os Moluscos
Vieira ao vapor e Lagostins grelhados com elixir de amendoas e polpa de manga
Robalo apresentado em Caixa ,do Mediterrâneo, assado em crosta de manteiga e sal, com tártaro de vitela, e suco de rabanetes

Cordeiro de Leite
com fumado de enguia, pimenta em caponata, e beringela ao roamaninho
Terminava com Carro de queijos e escolha de Sobremesas, de que se destacam o Soufflé au Grand Marnier e os chocolates.

Ao almoço o Menu Croisettes et Gourmandises fica mais em conta ( €58 com café e vinho).

Mesmo ao lado, o Restaurante Félix, uma honesta brasserie, por um terço do preço, apresenta uma divinal “Cassoulete d’Homard” (sopa de lagosta coberta por massa folhada) e um Filet Mignon au Foie Gras que não se esquece.

sexta-feira, maio 12, 2006

Cannes


O post sobre Maria Antonieta levou-me até Cannes. O Festival decorre de 17 a 28 de Maio. Abre com o "Da Vinci Code". Na competição encontramos filmes como "Il Caimano" de Nanni Moretti, inspirado em Berlusconi, "Volver" de Almodovar, o regresso de uma Carmen Maura depois de morta para confortar a filha Penélope Cruz, "Babel" de Alejadro Iñárritu ("21 gramas") , com Brad Pitt e Gael Garcia Bernal no Norte de África.

E "Juventude em Marcha" de Pedro Costa ("Ossos", "Sangue", "O quarto de Vanda") passado no Bairro da Fontaínha, Amadora no dia da demolição da última barraca.

O júri presidido por Wong Kar Wai integra entre outros Mónica Belluci, Helen Bonham Carter, Zhang Ziyi, Samuel L. Jackson e Tim Roth.





quinta-feira, maio 11, 2006

Maria Antonieta




Pelo Kafka soube do novo filme de Sofia Coppola, Marie Antoinette. A estreia está prevista para Setembro. As imagens ( e Sofia) prometem um grande filme. No site dele podem ver o trailer oficial. Aqui deixo-vos o teaser só com os New Order.




A protagonista é Kisten Dunst, a jovem vampira que contracenou com Brad Pitt em "Entrevista com o Vampiro" e já foi uma das "Virgens Suicidas", namorada do "Homem Aranha" e a hospedeira de "Eliizabethtown".

Uma das curiosidades do filme é o desempenho de Marianne Faithfull como Maria-Theresa. E que dizem da banda sonora dos New Order?

quarta-feira, maio 10, 2006

Hey hey, my my, Rock and roll can never die


No mesmo dia em que é lançado o CD dos Raconteurs de Jack White, sai o último de Neil Young. Não faz esquecer álbums como "Comes a Time", "After the Goldrush","Harvest","Hawks and Doves" ou "Rust Never Sleeps". Mas é incisivo como sempre. Pode-se ouvir na íntegra (sem grande som) aqui.

Não é pirataria. É o próprio Young que quer passar a mensagem.

terça-feira, maio 09, 2006

Colour purple

Depois da polémica suscitado pelo iberismo de um certo ministro, eu iberista me confesso. Pelo menos no capítulo dos vinhos. Ao recordar os vinhos que bebi no Zalacain vieram-me à memória alguns tintos espanhóis que me proporconaram um prazer dos diabos. Deixando para outro post uma prova cega que realizeei para alguns amigos iniciados nas coisas do vinho, em que competiam os melhores Douro e os Ribera del Duero, vou hoje descrever quatro grandes vinhos da região de Priorat.


Desde logo, o Les Terrasses 00, de Alvaro Palacios, de que já falei aqui, e que cosumava beber no Bull and Bear. Apesa de ser um vinho não muito caro (atendendo à gama), está no top 100 da Wine Spectator de 2005. Do mesmo produtor o Finca Dofi 98, provado na Hacienda Benaszuza, opaco, rubi/púrpura, notas de especiarias, amoras e ameixas pretas,boa estrutura, elegante mas potente, tostas de boa madeira.Termina persistente na boca.

Garnacha (50%), Cabernet Sauvignon (45%), Merlot (3%), Syrah (2%)



Clos Martinet Piorat 98, de Sara Pérez,

Provado a acompanhar um bloc de foie gras de ganso, da Imperia, depois de atracar em Cartagena e de um duche tomado no deck.

Densa cor púrpura, com aromas minerais, de amoras e cassis, poderoso, untuoso na boca, taninos suaves, final longo.

Garnacha(40%), Cariñena(20%), Cabernet Sauvignon(20%) e Syrah(20%).



Clos Mogador 98, de René Barbier

Provado no jantar do Zalacain (felizmente não paguei a conta).

Cor púrpura, notas minerais, frutos silvestres, encorpado,muito denso, boa estrutura, taninos nobres, final longuíssimo. Uma bomba.

35% Garnacha, 35% Cabernet Sauvignon, 20% Syrah, 10% Cariñena


Todos estes vinhos estão à venda na Vinho e Coisas.

Elephant

Gosto dos White Stripes. Melhor dito, gosto muito dos White Stripes – bem, para dizer a verdade, penso que os White Stripes são a melhor coisa que aconteceu ao rock desde os Nirvana! Este grupo surgiu em 1997, em Detroit, formado na prática por apenas dois elementos, os irmãos Jack e Meg White, com colaborações pontuais de músicos de estúdio, trouxe de volta a frescura perdida, a revolta e a energia que caracterizam o verdadeiro rock. Com Jack na voz e na guitarra e Meg explosiva na bateria, eles têm-nos dado algumas das melhores canções dos últimos anos, numa mistura inusitada de estilos que vão do punk aos blues. A sua discografia inclui já cinco álbuns (White Stripes; De Stijl; White Blood Cells; Elephant e Get Behind Me, Satan), algumas colectâneas e pelo menos um DVD (Live at Blackpool). Elephant, editado em 2003, é sem sombra de dúvida, um álbum que vai ficar na história, aliando a força de temas como o conhecido “Seven Nation Army”, “I Don’t Know What To Do With Myself” e “The Hardest Button to Button” ao lirismo amargo e belo de “You Have Got Her in Your Pocket”. Foi propositadamente gravado com meios tecnológicos anteriores a 1964, no intuito de se conseguir um som mais próximo do rock original, e basta apenas ouvi-lo duas ou três vezes para uma pessoa ficar fã do grupo. Um CD imprescindível, a recomendar a todos os amigos! Não esquecer também a visita ao site do grupo!

domingo, maio 07, 2006

DVDteca - Grandes Mestres do Cinema (6)

The Big Sleep de Howard Hawks

Adaptação da novela de Raymond Chandler , clássico do filme negro, com o detective Philip Marlowe (Humphrey Bogart). O argumento foi escrito pelo Nobel William Faulkner. A atmosfera do filme é negra e paranoica, cheia de suspeições, temor e intriga. Temos chantagistas, assassinos doentios, jogo, perversão e vício enquanto o mundo segue o seu rumo, adormecido. Misterioso, complexo, por vezes confuso, cheio de pontas soltas, como o assassínio de Owen Taylor, que o próprio Chandler admitiu não saber quem era o culpado, nem interessava. Um detective privado , falsas pistas, diálogos inesqueciveis e piadas sarcásticas, personagens obscuros, mulheres fatais, acção, tiros, cenas electrizantes e violentas. Personagens importantes que não aparecem no ecran, outras que mal surgem são eliminadas rápidamente . Há informação deliberadamente omitida e referências veladas a temas tabu (na época), como o uso de drogas, a ninfomania de Carmen, a pornografia, a homosexualidade. Sabemos hoje que na montagem o estúdio cortou inúmeras cenas, que podem hoje ser vistas nalgumas edições em DVD ( com mais 18 minutos de filme).

Muito mais importante que o linear enredo de chantagem e assassínio, é o estilo do método de investigação do detective privado, com quem o espectador se identifica, e que faz o seu percurso pelo tenebroso submundo do crime, saltando de um cenário opressivo para outro, de personagens perversos para outros, de mulher fatal em mulher fatal. O personagem de Marlowe ganhou um estatuto de culto, de arquétipo do detective com este filme. Os diálogos do filme, escritos por Faulkner, e muitas vezes resultado da química entre Bogey e Bacall , que abria espaço à improvisação, são fabulosos. Não é apenas nos diálogos com Bacall, mas também a cena com Dorothy Malone, a vendedora de livros, está repleta de trocadilhos cheios de tensão sexual. Tendo estreado em 1946, foi rodado em 1944, seis meses antes do casamento de Bogart e Bacall. O sucesso da dupla foi tal ( como já fora em "To Have or Have Not") que já depois do filme acabado, cenas adicionais com os dois foram rodadas para apimentar a história.

Hawks nasceu em Indiana tendo-se mudado para a California com 10 anos. Cursou Engenharia mecânica em Cornell. Piloto na WW I trabalhou depois na indústria aeronáutica mas logo ingressou em Holywood onde começou por fazer montagens na companhia de Mary Pickford. .O seu primeiro filme como realizador e argumentista foi "The Road to Glory" . Título profético, iniciou uma das mais versáteis carreiras de realizadores americanos

Aclamado pelos Cahiers du Cinéma, como o maior auteur americano, são vários os filmes de Hawks que fazem parte da história do cinema. Comédias como “Bringing Up Baby”, com Gary Grant e Katherine Hepburn, “Monkey Business” (1952) celebração do políticamente incorrecto com Gary Grant,. "Gentlemen Prefer Blondes" (1953), musical com Marilyn Monroe e Jane Russell à caça de maridos ricos. Filmes negros como “Scarface” (1932), poduzido por Howard Hughes. com Paul Muni como Al Capone . Ou “To Have And To Have Not” (1944) adaptação do romance de Hemingway com Humphrey Bogart e Lauren Bacall, com a célebre frase de Bacall para Bogey: "You don't have to say anything and you don't have to do anything. Not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don't you, Steve? Just put your lips together and blow.” Westerns como” Red River” (1948) com John Wayne e um rebelde Montgomery Clift ou “Rio Bravo” (1959) resposta ao pessimismo de High Noon, alegoria da era McCarthy e ” Eldorado” (1967). Filmes de guerra como Air Force (1943) ou Dawn Patrol (1930) e o biopic “Sargent York” (1941) com Gary Cooper. Esta versatilidade, também a encontramos em John Ford ( mas associamos este ao western), mas Hawks conseguiu não ser tipicado como realizador de um só género.

Hawks nunca foi nomeado para um Óscar da Academia, tendo recebido um Óscar honorário em 1975

The Big Sleep é um dos mais intrigantes exemplos do film noir. Todo o cinéfilo deve ver este filme pelo menos uma vez.

DVD: The Big Sleep- À Beira do Abismo (1946), na amazon.uk, € 24.80

Também recomendo: “To Have or Have Not” (1944), na FNAC €17.90, “Red River”, na FNAC € 21.00, “Monkey Businees” na FNAC €20.90, na amazon.uk € 8.00

sábado, maio 06, 2006

Cinema que vem aí: "A Prairie Home Companion"




Está a chegar o último filme de Robert Altman. O elenco "só" tem Meryl Streep, Kevin Kline, Tommy Lee Jones, Lily Tomlin, John C. Reilly, Woody Harrelson, Virginia Madsen, Maya Rudolph, Lindsey Lohan


sexta-feira, maio 05, 2006

Livros: O cavaleiro da águia - Fernando Campos




Passam-se os anos, os livros editados, e Fernando Campos nunca desilude, pois consegue mais uma vez aliar um facto histórico a uma escrita belíssima. Tendo como tema principal a vida de Gonçalo Mendes da Maia, o autor retrata de uma forma oportuna as relações entre cristãos e muçulmanos na Hispania antes da fundação do Condado Portucalense.

Do mesmo autor, recomenda-se a leitura de " A sala das perguntas" e "A esmeralda partida"

Os LP´s do meu baú (1) CIRCENSE


Egberto Gismonti

Nasceu em 1947 numa cidade do interior do Rio de Janeiro, filho de pai libanês, músico, e mãe siciliana. Começou a estudar piano com seis anos, e aos 21 anos veio para a Europa completar a sua formação clássica. No regresso ao Brasil, começou a pesquisar a música popular e a estudar as mais variadas guitarras. Do batuque da Amazônia ao samba e choro do Rio, através do forró, frevo e baião nordestinos, captou a essência da alma brasileira, de uma forma primitiva e ao mesmo tempo sofisticada, reflexo da sua formação clássica e do papel do jazz na sua musica. Passou dois anos a estudar novas sonoridades com os mais diversos instrumentos como flautas, kalimbas, sho, sinos e o celebrado berimbau. As suas influências vão de Ravel e Heitor Vila-Lobos a Jimmi Hendrix.

Nos anos 70 iniciou uma prolifica colaboração com a editora ECM, de Manfred Eicher, com quem gravou "Dança Das Cabecas" (1977) com Naná Vasconcelos, e "Sol Do Meio Dia" com o saxofone de Jan Garbarek e a guitarra de Ralph Towner. Este album era dedicado às tribos Xingus da Amazônia, com quem viveu na selva durante algum tempo.Em 79 gravou Solo" e logo a seguir Mágico com o baixo de Charlie Haden e e Jam Garbarek. O trio fez uma tournée na Europa gravando "Folksongs". Pelo meio gravou em 1980 para a EMI o ora em apreço "Circense"

Comprar estes LP´s no ínicio da década de 80 não era fácil. Não havia a amazon, mas havia a Tubitek com a sua secção de albuns importados (caros,caríssimos), com uma forte representação da ECM. Foi aí que descobri vários dos LP´s de Gismonti. Nunca vi Gismonti ao vivo. Cheguei a ter bilhete para um concerto que deu nos anos oitenta no Rivoli, mas como era em véspera de exame acabei por vender o bilhete. Claro que no dia seguinte o exame correu mal.

Circense (1980)

Nesta obra prima de Gismonti, concebida no universo de um circo, está presente a ambivalência da tradição global do Circo com a riqueza das pequenas companhias locais de circo, que encaixa na universalidade da música de Gismonti enriquecida com elementos da música popular brasileira.

Do electrizante “Karate”e o frenético “Equilibrista” ao mistíco “Mágico”, passando por “Cego Aderaldo”, homenagem a um guitarrista nordestino, com o violino de Shankar e o virtuosismo da viola de dez cordas de Gismonti e um "Palhaço" desprestencioso, salpicado pelo riso das crianças, numa harmonia a roçar o blues, apaixonante, num crescendo harmónico até ao esplendor da orquestra, e os sentidos “Ciranda” e “Mais que a Paixão”, raros momentos em que escutamos a voz do compositor, Circense é uma viagem em que vale a pena embarcar. Excelente para ouvir no final de um dia particularmente extenuante.

CD:

Circense foi lançado em CD em 91. Não o encontrei recentemente à venda.

Na amazon.uk custa €18.96 e na cdgo.com €21.95.

Na FNAC encontrei “Sol do Meio Dia”. “Solo” , “Dança das Cabeças” e “Sanfona”.

Para amantes do vynil, “Sol do Meio Dia” em LP, na cdgo.com, € 12.95

quinta-feira, maio 04, 2006

Cinema que vem aí: UN 93



Lamechas, mas arrepiante.

Viagem à Alemanha


Chegaram ontem os tão aguardados bilhetes verdes. Já comprados há mais de um ano. Os voos já estão marcados, os carros alugados, os hotéis reservados. O Zé, o Luís e o Manel já estão a postos.

A peregrinação vai-nos levar a Koln, Frankfurt e Gelsenkirchen. Pretexto para voltar a degustar a Fruh ou a Weissbier, e o Schweinaxe, e visitar a majestosa catedral de Colónia. Mas também regressar à lindíssima Rothenburg e à estrada romântica, ao vale do Mozelle. E levar-nos a Maastricht em busca da colecção do Rijksmuseum ou a Aachen em busca de Carlos Magno.

E de Deco e Ronaldo. E da glória?

segunda-feira, maio 01, 2006

Mesas da nossa Terra (1)

SEVER


Depois de uma visita a Marvão, nada melhor para retemperar forças que uma visita ao Sever. Aconselha-se marcar mesa, caso contrário terão de almoçar no restaurante-churrascaria, dos mesmos proprietários, vindo a comida em take-away no CLK de D. Julieta.

Os pratos emblemáticos são a sopa de castanha (€3,50), a alhada de cação (€7,90), as migas à alentejana (€8,25), o arroz de lebre (€8,75), o javali estufado (€8,50) e as carnes de porco preto grelhado.

Provou-se a alhada de cação, soberba, com o típicamente alentejano sabor dos coentros. Acompanou-se com um Tapada de Coelheiros Chardonay.

O arroz de lebre estava no ponto, e a lebre suculenta. Casamento perfeito com um Marquês de Borba 2000.

A perna de borrego assada com chalotas também se recomenda.


À sobremesa o Francisco gostou da mousse de chocolate.




Marvão

Portagem - Portagem

Tel. 245 993 318

Fax. 245 993 412

África Minha (1)


My monochromatic friends